Em resumo
- A leucemia é um câncer dos glóbulos brancos que causa produção descontrolada dessas células de defesa, apresentando sintomas como febre, suor noturno, perda de peso e manchas roxas na pele.
- Existem seis tipos principais de leucemia, divididos entre formas agudas mais agressivas e crônicas de desenvolvimento lento, com prognósticos que variam conforme o tipo e a idade do paciente.
- O diagnóstico envolve hemograma, contagem de plaquetas, esfregaço sanguíneo e possível biópsia de medula óssea, enquanto o tratamento pode incluir quimioterapia, imunoterapia, terapia-alvo ou transplante de medula.
- A doença tem cura em alguns casos, especialmente quando detectada precocemente e o tratamento iniciado rapidamente, com melhores chances em pessoas jovens.
A leucemia é um câncer que afeta os glóbulos brancos, também chamados leucócitos, que são as células responsáveis pela defesa do organismo. Na leucemia, essas células são produzidas de forma descontrolada pelo corpo, prejudicando a capacidade natural de defesa contra infecções e causando diversos sintomas. Diferentemente de outros cânceres que formam tumores sólidos em um local específico, a leucemia afeta células que circulam continuamente no sangue e na medula óssea, facilitando sua disseminação pelo corpo.
Sintomas da leucemia
Os sintomas mais comuns da leucemia incluem febre, suor noturno frequente, perda de peso sem causa aparente, manchas roxas na pele e cansaço intenso ou desproporcional. Em algumas pessoas, também pode ocorrer palidez da pele. A forma como esses sintomas aparecem e sua intensidade variam bastante conforme o tipo de leucemia.
Leucemias agudas versus crônicas
Nas leucemias agudas, os sintomas aparecem com frequência e intensidade notável, levando a pessoa a procurar ajuda médica mais rapidamente. O desenvolvimento agressivo dessas formas torna mais evidente quando algo está errado no corpo. As leucemias crônicas, por outro lado, têm um desenvolvimento lento e costumam causar poucos ou nenhum sintoma perceptível no início da doença. Muitas vezes são descobertas por acaso durante um exame de rotina, como um hemograma completo, quando a pessoa procura atendimento por outro motivo ou realiza um checkup preventivo.
Sinais em crianças
Os sintomas mais frequentes em crianças com leucemia são cansaço, palidez, febre, manchas roxas na pele e ínguas no corpo. Além desses sinais, a leucemia pode afetar ossos e articulações das crianças, causando dor local e dificuldade para andar ou movimentar-se normalmente. Quando esses sinais aparecem, especialmente de forma persistente, é fundamental procurar um pediatra ou hematologista imediatamente para avaliação.

Tipos de leucemia
Leucemias agudas em adultos e crianças
A leucemia mieloide aguda (LMA) é considerada o tipo mais agressivo e também a leucemia aguda mais frequente em adultos. Embora sua agressividade seja alta, a chance de cura é maior principalmente em pessoas mais jovens. A leucemia linfoide aguda (LLA), por sua vez, é o tipo de leucemia mais comum em crianças, embora também possa se desenvolver em adultos. A chance de cura é maior em crianças e adolescentes, especialmente quando a doença é identificada precocemente e o tratamento é iniciado sem demora.
Leucemias crônicas
A leucemia mieloide crônica (LMC) é mais comum em adultos e se caracteriza por um desenvolvimento lento, causando nenhum ou poucos sintomas no início. O tratamento pode ser feito com medicamentos específicos durante toda a vida da pessoa. A leucemia linfoide crônica (LLC) é mais frequente em pessoas mais velhas, especialmente em homens com idades entre 60 e 70 anos, apresentando também um desenvolvimento lento e insidioso.
Tipos raros de leucemia
Existem outros tipos de leucemia menos comuns que merecem menção. A leucemia de Burkitt é de crescimento lento, embora um pequeno número de casos possa ser mais agressivo e difícil de tratar. Pode ser causada pelo vírus Epstein-Barr, afeta adolescentes e jovens adultos e é tratada com quimioterapia. A leucemia de células T do adulto é causada pelo vírus HTLV-1, um retrovírus semelhante ao HIV, sendo muito grave com prognóstico reservado; o tratamento é feito com quimioterapia e transplante de medula óssea, embora com eficácia limitada. A leucemia de células cabeludas é um tipo de leucemia linfocítica crônica que afeta mais os homens e não é encontrada em crianças.
O que causa a leucemia
A causa exata da leucemia não é totalmente conhecida pelos pesquisadores. No entanto, sabe-se que a leucemia é mais comum em pessoas com predisposição genética herdada, em fumantes, em pessoas com histórico de exposição prolongada à radiação ou benzeno, em indivíduos com infecções virais específicas e em portadores de síndromes genéticas como a síndrome de Down. Identificar esses fatores de risco é importante para permitir uma detecção mais precoce quando sintomas aparecem.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da leucemia é feito por um hematologista ou oncologista levando em consideração cuidadosamente os sintomas presentes na pessoa e os resultados de exames específicos. O hemograma é o primeiro exame realizado, mostrando a contagem de glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas. Em seguida, pode-se fazer uma contagem mais detalhada de plaquetas e a análise do esfregaço sanguíneo, que permite visualizar as células sanguíneas em detalhe ao microscópio.
Especialmente em caso de suspeita de leucemia aguda, é comum o médico indicar a biópsia da medula óssea e o mielograma para confirmar o diagnóstico definitivo. A biópsia retira uma pequena amostra de tecido da medula óssea, enquanto o mielograma coleta uma amostra líquida da medula óssea para análise microscópica detalhada.
Um detalhe importante para esclarecer: plaquetas altas normalmente não são indicativas de leucemia. Embora o número de plaquetas possa estar elevado em algumas doenças do sangue, como linfoma ou trombocitemia essencial, a leucemia geralmente causa uma diminuição no número de plaquetas, não um aumento.
Opções de tratamento
Quimioterapia como tratamento principal
A quimioterapia é um dos principais tratamentos indicados para leucemia, sendo realizada através da injeção de medicamentos específicos contra o câncer diretamente na veia ou administrada em forma de comprimidos via oral, com o objetivo de eliminar as células cancerígenas. Durante o tratamento, pode ser necessária a internação no hospital por alguns dias e o uso de diferentes medicamentos combinados simultaneamente. A quimioterapia também frequentemente precisa ser repetida em intervalos de semanas ou meses para garantir a eficácia total.
Imunoterapia e terapia-alvo
A imunoterapia consiste no uso de medicamentos que fortalecem o sistema imunológico com anticorpos que se ligam às células cancerígenas presentes no sangue e na medula óssea, permitindo sua eliminação eficiente pelo corpo. A terapia-alvo usa medicamentos que afetam especificamente as células cancerígenas, causando pouco ou nenhum dano às células normais do corpo. Essa abordagem é indicada especialmente para a leucemia mieloide crônica, em que existe uma enzima específica que faz com que as células se proliferem de forma descontrolada e que é o principal alvo de certos medicamentos usados neste tipo de tratamento.
Radioterapia e transplante de medula
A radioterapia, embora menos utilizada no tratamento da leucemia, pode ser indicada em alguns casos específicos para eliminar as células cancerígenas do corpo, especialmente antes da realização do transplante de medula óssea. O transplante de medula óssea consiste em retirar uma parte da medula óssea de uma pessoa saudável e injetá-la na pessoa doente, após a realização de quimioterapia e/ou radioterapia, com o objetivo de que produza células sanguíneas saudáveis novamente.
Chances de cura e prognóstico
A leucemia tem cura em alguns casos, especialmente quando identificada cedo e o tratamento é iniciado rapidamente após o diagnóstico. No entanto, as chances de cura dependem também do tipo específico de leucemia diagnosticado e do histórico geral de saúde da pessoa, sendo significativamente maior principalmente em indivíduos mais jovens. Diante de qualquer suspeita de leucemia com presença persistente de febre, suor noturno, manchas roxas na pele ou cansaço desproporcional, é fundamental procurar um hematologista ou oncologista para uma avaliação completa e confirmação diagnóstica.
Fonte: Tua Saúde
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre leucemia aguda e crônica?
A leucemia aguda aparece com sintomas frequentes e intensos, levando a pessoa a procurar ajuda médica rapidamente. A leucemia crônica tem desenvolvimento lento e costuma causar poucos ou nenhum sintoma no início, sendo muitas vezes descoberta por acaso durante um exame de rotina como hemograma completo.
Como é diagnosticada a leucemia?
O diagnóstico é feito por um hematologista ou oncologista através do hemograma, que mostra a contagem de glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas, seguido de análise do esfregaço sanguíneo. Em caso de suspeita de leucemia aguda, também podem ser indicados biópsia de medula óssea e mielograma para confirmar o diagnóstico.
Qual é o principal tratamento para leucemia?
A quimioterapia é um dos principais tratamentos, realizado por injeção de medicamentos anti-câncer diretamente na veia ou em comprimidos, para eliminar células cancerígenas. Dependendo do tipo de leucemia, também podem ser usados imunoterapia, terapia-alvo, radioterapia ou transplante de medula óssea.