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Remédios para emagrecer: farmácia, naturais e em investigação

Em resumo

  • Medicamentos para emagrecer como Saxenda, Wegovy e Mounjaro são prescritos para IMC acima de 30 kg/m² ou acima de 27 kg/m² com doenças associadas.
  • Cada fármaco tem efeitos colaterais específicos e contraindicações que exigem acompanhamento médico contínuo durante o tratamento.
  • Remédios naturais como chá verde e spirulina existem, mas devem ser usados sob orientação de um nutricionista e não substituem medicações prescritas.
  • Alguns medicamentos como fentermina e lorcaserina não são disponíveis ou aprovados no Brasil por questões de segurança regulatória.

Medicamentos para emagrecer podem ser prescritos pelo endocrinologista quando o paciente tem obesidade (IMC acima de 30 kg/m²) ou sobrepeso (IMC acima de 27 kg/m²) com doenças associadas como hipertensão ou diabetes tipo 2. Além das opções de farmácia, existem remédios naturais como chá verde, quitosana, glucomannan e spirulina, que devem ser usados com orientação de um nutricionista ou profissional de saúde. É essencial que qualquer tratamento medicamentoso para perda de peso seja indicado e acompanhado por um médico, pois esses fármacos podem causar efeitos colaterais significativos.

Medicamentos injetáveis com GLP-1 e GIP

Os medicamentos mais recentes para emagrecer funcionam ativando hormônios naturais do corpo que controlam o apetite e o metabolismo.

Saxenda (liraglutida)

O Saxenda é uma injeção que atua controlando o apetite através de ação hormonal via GLP-1. Destina-se a adultos e adolescentes com 12 anos ou mais que têm IMC acima de 30 kg/m² ou IMC acima de 27 kg/m² com problemas associados como hipertensão ou diabetes tipo 2. O tratamento começa com dose baixa que aumenta gradualmente nas primeiras 5 semanas. A dose inicial é 0,6 mg por dia, aumentando semanalmente em 0,6 mg até atingir 3 mg uma vez por dia na quinta semana.

Os efeitos colaterais mais frequentes incluem náuseas, vômitos, diarreia, prisão de ventre, indigestão, gastrite, desconforto estomacal, boca seca, fraqueza, cansaço e alteração no paladar. O medicamento não deve ser usado por pessoas não obesas, durante gravidez, amamentação ou em crianças.

Semaglutida (Wegovy)

A semaglutida promove sensação de saciedade e reduz a fome ao longo do dia, levando à perda de peso pela redução de calorias consumidas. É indicada para adultos obesos (IMC acima de 30 kg/m²), pessoas com sobrepeso (IMC acima de 27 kg/m²) com doenças associadas como dislipidemia, diabetes ou pressão alta, e adolescentes a partir dos 12 anos com peso corporal acima de 60 kg. A injeção é aplicada sob a pele do abdômen, coxa ou parte superior do braço uma vez por semana. A dose inicial recomendada é 0,25 mg semanal, aumentável a cada 4 semanas até a máxima de 2,4 mg por semana.

Podem ocorrer náusea, vômito, dor de estômago, azia, má digestão, diarreia, constipação, gases intestinais, arrotos frequentes, perda de apetite, dificuldade para engolir, hipoglicemia, ansiedade, depressão, dor de cabeça, tontura e cansaço. Está contraindicada para pessoas alérgicas aos componentes, com tumores em glândulas, cetoacidose diabética ou antecedentes pessoais e familiares de câncer na tireoide. Não deve ser usada por crianças ou adolescentes com menos de 12 anos ou por mulheres grávidas ou amamentando. A semaglutida também está disponível sob os nomes comerciais Rybelsus e Ozempic para tratamento de diabetes tipo 2.

Tirzepatida (Mounjaro)

A tirzepatida reduz o esvaziamento gástrico e aumenta a sensação de saciedade, diminuindo a ingestão de calorias. Atua como agonista duplo de GLP-1 e GIP, potencializando seu efeito metabólico. Aplica-se sob a pele do abdômen, coxa ou parte superior do braço uma vez por semana, a qualquer hora, antes ou após refeições. A dose inicial é 2,5 mg semanal durante as primeiras 4 semanas, podendo aumentar para 5 mg após a quarta semana, com máximo de 15 mg por semana.

Os efeitos colaterais incluem náuseas, vômitos, diarreia, prisão de ventre, dor abdominal, gases intestinais, arrotos frequentes e hipoglicemia. Podem ocorrer ainda efeitos graves como gastroparesia, pedras na vesícula, pancreatite aguda, reações alérgicas graves ou piora da retinopatia diabética. Está contraindicada em crianças, adolescentes, pessoas com diabetes tipo 1, alergia à tirzepatida ou aos componentes da injeção, ou com antecedentes pessoais ou familiares de câncer na tireoide.

Medicamentos em investigação clínica

Retratutida

A retratutida poderá ser indicada para emagrecer porque promove saciedade, aumenta o gasto energético e estimula a quebra de gordura corporal. Ainda se encontra em fase de estudos clínicos e não possui aprovação da ANVISA para uso clínico ou comercialização. Pode vir a ser indicada para pessoas com sobrepeso, obesidade, diabetes e esteatose hepática.

Nos testes clínicos, a forma testada é uma injeção subcutânea semanal com dosagens entre 1 mg e 12 mg por semana, conforme o objetivo. Os principais efeitos colaterais relatados incluem náuseas, diarreia, vômitos, prisão de ventre, desconforto abdominal e perda do apetite. Alguns pacientes apresentaram aumento da frequência cardíaca, sensibilidade excessiva na pele, aumento de enzimas pancreáticas e hepáticas, e pancreatite aguda. Não é atualmente aprovado para uso fora de ensaios clínicos oficiais.

Medicamentos orais de primeira geração

Sibutramina

A sibutramina diminui a fome e faz a sensação de saciedade chegar mais rápido ao cérebro, ajudando a controlar a quantidade de comida ingerida. Atualmente não é considerada primeira linha em muitos países devido ao aumento do risco cardiovascular. É indicada para pessoas em dieta com muita dificuldade em controlar a fome e vontade de comer alimentos gordurosos ou açucarados. A recomendação geral é tomar uma cápsula de 10 mg pela manhã em jejum, consultando o médico se não houver perda de peso após 4 semanas.

Os efeitos colaterais incluem prisão de ventre, boca seca, insônia, taquicardia, palpitações, dor de cabeça, aumento da pressão arterial e risco de doenças cardiovasculares, além de depressão e ansiedade. Por esses efeitos, o uso deve ser exclusivamente sob indicação e orientação médica. Está contraindicada para gestantes, mulheres amamentando e em casos de doenças cardíacas, anorexia, bulimia, uso de descongestionantes nasais ou antidepressivos.

Orlistat

O orlistat impede a absorção de gordura no intestino ao inibir enzimas gastrointestinais, reduzindo as calorias absorvidas e favorecendo a perda de peso e controle do colesterol alto. É indicado para pessoas com obesidade (IMC acima de 30 kg/m²) ou sobrepeso (IMC acima de 28 kg/m²) com fatores de risco associados. Não deve ser usado como justificativa para consumir mais alimentos com alto teor de gordura diariamente.

A recomendação é tomar uma cápsula de 60 a 120 mg antes, durante ou até uma hora após cada refeição principal. Não deve ser tomado caso a refeição não contenha gordura ou não seja feita uma refeição. Os efeitos colaterais incluem dor de cabeça, dor abdominal ou retal, distensão abdominal, flatulência, incontinência fecal, urgência fecal, fezes gordurosas, fezes brancas ou líquidas, aumento da frequência de evacuações, hipoglicemia e fadiga. Pode reduzir a absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K), podendo ser necessária suplementação sob orientação médica. Está contraindicado para gestantes, mulheres amamentando e pessoas com problemas de má absorção intestinal ou tendência a diarreia.

Combinações e outras opções farmacêuticas

Naltrexona e Bupropiona

A naltrexona e a bupropiona atuam nas principais regiões do cérebro relacionadas à fome e recompensa alimentar, levando a pessoa a diminuir a ingestão de alimentos e favorecer a perda de peso. É indicado para pessoas com obesidade (IMC acima de 30 kg/m²) ou sobrepeso (IMC acima de 27 kg/m²) com doenças associadas como dislipidemia, diabetes e hipertensão. O tratamento começa com um comprimido de 90 mg/8 mg pela manhã, aumentando progressivamente durante 4 semanas até a dose máxima de 360 mg/32 mg por dia (2 comprimidos pela manhã e 2 à noite). Os comprimidos devem ser tomados inteiros com água, de preferência durante as refeições.

Os efeitos colaterais podem incluir náuseas, tremores, alteração da atenção, cansaço excessivo, vertigem, palpitações, tontura, prisão de ventre, vômitos, boca seca, sudorese, alopecia e diminuição dos linfócitos. Está contraindicado durante gravidez, lactância e em crianças. Também não deve ser usado por pessoas com hipertensão não controlada, transtornos convulsivos ou antecedentes de convulsão, neoplasia no sistema nervoso central, abstinência de álcool ou benzodiazepínicos, antecedentes de transtorno bipolar, diagnóstico de bulimia ou anorexia nervosa, insuficiência hepática ou renal grave, dependência aos opiáceos ou tratamento com IMAO para depressão.

Medicamentos retirados ou não disponíveis no Brasil

Lorcaserina (Belviq)

O lorcaserina atua nos níveis de serotonina do cérebro, diminuindo o apetite e aumentando a saciedade. De acordo com a Tua Saúde, foi retirado do mercado após estudos indicarem possível aumento do risco de câncer de pâncreas, colorretal e de pulmão, não sendo atualmente utilizado na prática clínica. Seria indicado para pessoas com obesidade (IMC acima de 30 kg/m²) ou sobrepeso (IMC acima de 27 kg/m²) com comorbidades associadas como hipertensão, diabetes ou dislipidemia. A comercialização no Brasil não está autorizada pela ANVISA pelo risco aumentado de câncer.

Fentermina

A fentermina atua sobre o sistema nervoso central, suprimindo o apetite e favorecendo a perda de peso. Não é utilizada na prática clínica no Brasil atualmente, pois não há medicamentos registrados na ANVISA com essa substância no país. Seria indicada para adultos e crianças maiores de 12 anos com obesidade (IMC igual ou acima de 30 kg/m²). A recomendação seria tomar um comprimido de 15 ou 30 mg, 30 a 50 minutos antes de comer, até as 19h, com duração máxima de 12 semanas. Os possíveis efeitos colaterais incluem visão borrada, insônia, boca seca, palpitação, taquicardia, nervosismo, euforia e náuseas.

Remédios naturais para emagrecer

Existem opções de produtos naturais que podem auxiliar no processo de emagrecimento, como chá verde, quitosana, glucomannan e spirulina. Esses remédios devem ser usados sempre com a orientação de um nutricionista ou profissional de saúde, para garantir segurança e eficácia no tratamento. Diferentemente dos medicamentos prescritos para obesidade diagnosticada, essas opções têm mecanismo de ação menos potente e devem complementar, nunca substituir, mudanças nos hábitos alimentares.

Quando procurar um endocrinologista

O uso de medicamentos para emagrecer deve ser feito apenas se indicado e orientado por um endocrinologista, pois esses fármacos podem estar associados a vários efeitos colaterais que trazem riscos para a saúde. Um médico pode avaliar se você se enquadra nos critérios de IMC, se possui doenças associadas e qual medicamento é mais apropriado para seu caso específico, sempre considerando contraindicações pessoais e histórico de saúde. Procure um especialista antes de iniciar qualquer medicação para perda de peso, especialmente se você tem doenças cardiovasculares, problemas psiquiátricos ou toma outros medicamentos que possam interagir.

Fonte: Tua Saúde

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre Saxenda, Wegovy e Mounjaro?

Saxenda (liraglutida) atua via GLP-1 com dose máxima de 3 mg diários. Wegovy (semaglutida) também usa GLP-1 mas é aplicado semanalmente com máximo de 2,4 mg. Mounjaro (tirzepatida) funciona como agonista duplo de GLP-1 e GIP, atingindo 15 mg semanais. Todos reduzem o apetite, mas com diferentes mecanismos, potências e esquemas de dosagem.

Qual é o IMC mínimo para receber prescrição desses medicamentos?

A recomendação geral é IMC acima de 30 kg/m² para obesidade, ou IMC acima de 27 kg/m² quando a pessoa tem doenças associadas como hipertensão, diabetes ou colesterol alto. Adolescentes a partir dos 12 anos também podem receber prescrição em alguns casos, desde que acompanhados por um médico ou nutricionista.

Os remédios naturais funcionam tão bem quanto os medicamentos de farmácia?

Remédios naturais como chá verde, quitosana, glucomannan e spirulina podem auxiliar no emagrecimento, mas têm mecanismo menos potente que os medicamentos prescritos. Devem ser usados com orientação de um nutricionista e complementar, não substituir, os medicamentos indicados para casos de obesidade diagnosticada.

Written by
Thiago Valadares

Thiago Valadares é personal trainer e entusiasta de nutrição esportiva, com foco em receitas fitness e meal prep para quem treina pesado. Escreve sobre como aliar praticidade e macronutrientes sem cair em modismos.