Em resumo
- Canal lacrimal entupido, ou dacrioestenose, é um bloqueio do ducto que drena as lágrimas para o nariz, afetando principalmente bebês e ocorrendo também em adultos e idosos.
- Em bebês costuma resolver naturalmente nos primeiros meses, mas pode exigir massagem do canal 4 a 5 vezes por dia ou sondagem se persistir após o primeiro ano.
- Em adultos, o tratamento depende da causa e pode incluir colírios antibióticos (tobramicina ou ciprofloxacino), sondagem, stent de três meses, cirurgia dacriocistorrinostomia ou dacrioendoscopia.
- Diagnóstico é feito pelo oftalmologista usando teste com fluoresceína, tomografia, ressonância magnética ou dacriocistografia para localizar a obstrução com precisão.
O canal lacrimal entupido, clinicamente conhecido como dacrioestenose, acontece quando o ducto responsável pela drenagem das lágrimas sofre um bloqueio total ou parcial. Esse ducto nasolacrimal é essencial para que as lágrimas fluam do olho até a cavidade nasal, mantendo a lubrificação ocular e prevenindo acúmulo de secreção. Quando obstruído, as lágrimas não conseguem drenar adequadamente, causando acúmulo de umidade e desconforto. O problema é particularmente comum em bebês, mas também afeta adultos e idosos, cada um com características específicas de apresentação e manejo.
O que é o canal lacrimal e como funciona
O sistema lacrimal é composto pelas glândulas que produzem as lágrimas e pelos canais que as drenam. As lágrimas secretadas pela glândula lacrimal percorrem a superfície do olho e drenam através de pequenas aberturas chamadas pontos lacrimais, situadas nas pálpebras. Essas lágrimas seguem por canalículos até o saco lacrimal, e finalmente descem pelo ducto nasolacrimal para a cavidade nasal. Quando qualquer segmento desse trajeto se bloqueia, impede a drenagem normal das lágrimas, levando a uma série de consequências que variam conforme a idade e a causa do entupimento.
Sintomas variam conforme a idade
Manifestações em bebês
Em recém-nascidos e lactentes, o canal lacrimal entupido é bastante frequente porque o ducto nasolacrimal ainda não se abriu completamente no nascimento. Os pais notam que os olhos do bebê permanecem constantemente lacrimejantes, mesmo quando a criança não está chorando. Crostas esbranquiçadas ou amareladas costumam formar-se nos cílios, especialmente após o repouso noturno. A secreção pode ser um pouco mais espessa ou avermelhada. Apesar do incômodo aparente, esse tipo de entupimento geralmente não causa dor no bebê. A área ao redor do canto interno do olho pode ficar levemente vermelha ou irritada. Na maioria dos casos, o problema melhora naturalmente nos primeiros meses de vida, graças ao amadurecimento natural do sistema lacrimal. No entanto, se a secreção se tornar amarela, com sinais de pus, ou se houver inchaço e vermelhidão importantes, é necessário consultar um pediatra ou oftalmologista, pois pode indicar infecção secundária.
Sintomas em adultos e idosos
Adultos com canal lacrimal entupido relatam lacrimejamento excessivo que persiste mesmo em ambientes sem irritação ocular. A visão pode ficar turva de forma transitória, afetando temporariamente a qualidade visual. Vermelhidão na conjuntiva e irritação da pele ao redor do olho são comuns. O canto interno do olho frequentemente fica edemaciado e sensível ao toque. Em casos de obstrução prolongada, podem surgir episódios recorrentes de conjuntivite, com secreção purulenta e desconforto aumentado. Idosos apresentam entupimentos geralmente causados por obstruções adquiridas ao longo da vida, como estreitamento progressivo do ducto, inflamações crônicas ou alterações naturais do envelhecimento, deixando os sintomas ainda mais persistentes.

Como o oftalmologista faz o diagnóstico
O diagnóstico começa com uma avaliação clínica cuidadosa feita pelo oftalmologista, que observa os sintomas relatados e examina a estrutura ocular externa. Um teste específico, conhecido como teste de drenagem do canal lacrimal, utiliza fluoresceína, um corante inofensivo. O médico coloca uma gota da substância em cada olho e, após 5 minutos, verifica se o corante permanece no olho ou foi adequadamente drenado. Se o corante permanecer, isso pode indicar obstrução do canal lacrimal. Para confirmar o diagnóstico e localizar com precisão o local do bloqueio, exames de imagem podem ser solicitados, como ressonância magnética, tomografia computadorizada ou dacriocistografia. A dacriocistografia é um exame especializado que utiliza contraste e permite visualizar o caminho completo das lágrimas, identificando exatamente onde está a obstrução. Esses exames auxiliam o médico a definir a melhor estratégia de tratamento.
Causas principais de entupimento
O entupimento do canal lacrimal pode resultar de várias causas distintas. Em bebês, a obstrução congênita é a mais frequente, ocorrendo porque o ducto nasolacrimal não se abriu completamente durante a vida intrauterina. Em adultos, a causa costuma ser adquirida ao longo do tempo, como envelhecimento natural das estruturas do canal, inflamações crônicas ou infecções repetidas que prejudicam a drenagem.
Obstruções mecânicas podem ocorrer quando se formam pequenos cálculos chamados dacriolitos, depósitos que bloqueiam fisicamente o ducto lacrimal. Esses cálculos estão frequentemente associados a infecções prévias ou ao acúmulo crônico de muco no canal. Traumatismos faciais ou lesões na região do rosto também podem danificar o sistema lacrimal, interrompendo o fluxo normal de lágrimas. Embora menos frequentes, tumores podem comprimir ou invadir o sistema lacrimal, dificultando ou impedindo a drenagem normal das lágrimas. Alterações anatômicas adquiridas, como estreitamento ou fibrose do ducto, também contribuem para o entupimento em adultos.
Opções de tratamento disponíveis
Abordagem conservadora e minimamente invasiva
Para bebês, a massagem do canal lacrimal é geralmente a primeira opção de tratamento. Essa técnica simples deve ser feita no canto interno do olho, entre 4 a 5 vezes por dia, com o objetivo de diminuir o bloqueio e estimular a drenagem. As massagens costumam ser realizadas até o primeiro ano de vida da criança. Se o problema persistir após esse período, pode ser necessário um procedimento cirúrgico para abrir o canal lacrimal.
Quando há inflamação ou infecção associada ao entupimento, o oftalmologista pode prescrever colírios antibióticos, como tobramicina ou ciprofloxacino, para combater bactérias. Colírios anti-inflamatórios, especialmente corticoides tópicos leves, ajudam a reduzir vermelhidão e irritação da região. Em adultos que sofreram lesão ou trauma no rosto, a massagem também pode ser recomendada para desobstruir o canal enquanto a lesão cicatriza naturalmente.
Procedimentos cirúrgicos para obstruções persistentes
A sondagem do canal lacrimal é um procedimento onde o médico insere um pequeno tubo fino no canal lacrimal para desobstruir e permitir a drenagem das lágrimas. Em bebês, esse procedimento geralmente requer anestesia geral. Em adultos, utiliza-se anestesia local, e o oftalmologista pode além de passar a sonda, dilatar e lavar o ducto lacrimal para melhorar o fluxo.
O stent lacrimal é um tubo fino colocado no canal lacrimal pelo oftalmologista e deixado por cerca de três meses. Durante esse período, o stent mantém o canal aberto, permitindo que as lágrimas drenem adequadamente para o nariz, desobstruindo o canal lacrimal. Esse procedimento é indicado para adultos, realizado sob anestesia geral, e o stent é removido cirurgicamente após os três meses.
A dacriocistorrinostomia é a cirurgia clássica para desobstrução do canal lacrimal, indicada para adultos com infecções crônicas ou recorrentes. O procedimento é realizado pelo oftalmologista através de um pequeno corte na lateral do nariz, próximo ao saco lacrimal, utilizando anestesia geral. A vantagem é que não deixa cicatriz visível após cicatrização. Uma alternativa menos invasiva é a técnica com laser, na qual uma fibra é inserida pelo canalículo para criar uma abertura no ducto lacrimal sem necessidade de incisão externa.
A dacrioendoscopia é simultaneamente um exame e um tratamento que utiliza microendoscópios para visualizar o interior do canal lacrimal com grande precisão. O médico consegue identificar o local exato e o tipo de obstrução, seja pedras, muco ou estreitamentos. A grande vantagem é que é possível tratar o problema na mesma sessão, removendo a obstrução ou guiando a colocação de sonda, reduzindo a necessidade de procedimentos adicionais.
Quando procurar atendimento oftalmológico
Pais de bebês devem agendar consulta com um pediatra ou oftalmologista se a secreção ocular apresentar pus, se houver vermelhidão intensa ou inchaço na região do canto interno do olho. Em adultos, é recomendado procurar um oftalmologista quando o lacrimejamento excessivo persiste apesar do repouso ocular e cuidados básicos de higiene, quando há dor persistente na região do canto interno do olho, ou quando surgem episódios frequentes de conjuntivite. Qualquer sinal de infecção, como secreção purulenta ou aumento da vermelhidão, requer avaliação profissional. Se você mora em São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Pernambuco, Bahia, Maranhão, Pará, Paraná, Sergipe ou Ceará, é possível agendar consulta online com especialistas através de parcerias disponíveis. O oftalmologista é o profissional adequado para avaliar, diagnosticar corretamente o problema e indicar a melhor opção de tratamento conforme o caso específico.
Perguntas frequentes
O canal lacrimal entupido em bebês passa sozinho?
Na maioria dos bebês, o problema melhora naturalmente nos primeiros meses de vida, conforme o ducto nasolacrimal se abre completamente. Mas se persistir após o primeiro ano de vida ou se houver sinais de infecção com pus e inchaço importante, é necessário procedimento cirúrgico de sondagem.
Quais são os principais sintomas do canal lacrimal entupido?
Em bebês destacam-se o lacrimejamento constante mesmo sem choro, crostas amareladas nos cílios e leve vermelhidão no canto interno do olho. Em adultos, aparecem lacrimejamento excessivo persistente, visão turva transitória, vermelhidão intensa, irritação e edema na região do canto interno do olho.
Que medicamentos são usados para tratar o canal lacrimal entupido?
Quando há infecção ou inflamação, o oftalmologista prescreve colírios antibióticos como tobramicina ou ciprofloxacino para combater bactérias, e colírios anti-inflamatórios com corticoides tópicos leves para reduzir vermelhidão e irritação ocular.