Carregando...

Embolia pulmonar: sintomas, causas e tratamento hospitalar

Em resumo

  • Embolia pulmonar é o entupimento de uma artéria do pulmão que causa falta de ar repentina, tosse, dor no peito e batimentos cardíacos irregulares, exigindo atendimento hospitalar imediato.
  • Imobilidade prolongada, pós-operatório, trombose venosa profunda, viagens longas e fraturas são as principais causas, com risco aumentado pelo acúmulo de sangue nas veias e formação de coágulos.
  • O diagnóstico utiliza exames de laboratório como gasometria, troponina e dímero-D, além de imagem como angiotomografia computadorizada e ecocardiograma.
  • Tratamento inclui oxigenoterapia, anticoagulantes orais por 3 a 6 meses ou mais, e em casos graves, procedimentos como cateterismo, embolectomia cirúrgica ou ECMO.

Embolia pulmonar é o entupimento de uma artéria do pulmão que impede a passagem de sangue até essa região, provocando falta de oxigênio nos tecidos afetados. O bloqueio geralmente ocorre quando um coágulo, trombo ou êmbolo viaja pela corrente sanguínea vindo de outras partes do corpo. Trata-se de uma situação grave que exige atendimento hospitalar imediato para confirmação do diagnóstico e início do tratamento adequado.

Reconhecer os sintomas é fundamental

A embolia pulmonar apresenta sinais que aparecem de forma repentina e devem ser levados a sério:

  • Falta de ar súbita
  • Tosse intensa
  • Dor no peito que piora ao respirar fundo, tossir ou comer
  • Batimentos cardíacos rápidos ou irregulares
  • Tontura que não melhora
  • Confusão mental, especialmente em idosos

Quando dois ou mais desses sinais estão presentes, o paciente deve ir imediatamente ao pronto-socorro ou chamar uma ambulância. A confirmação do diagnóstico e o início rápido do tratamento adequado são essenciais para prevenir complicações graves de saúde, inclusive morte súbita.

Embolia pulmonar: sintomas, causas e tratamento hospitalar

Como o diagnóstico é confirmado

O diagnóstico começa com avaliação clínica realizada por um clínico geral ou pneumologista. O médico investiga os sintomas relatados pelo paciente, examina seu histórico de saúde anterior, procurando por fatores de risco conhecidos, e realiza um exame físico completo para avaliar sinais físicos que possam indicar embolia.

Exames de laboratório são solicitados para identificar o risco de coágulos e dar suporte ao diagnóstico. O médico solicita gasometria arterial, que mede os níveis de oxigênio no sangue, testes de coagulação sanguínea, que avaliam como o sangue está coagulando, peptídeo natriurético cerebral (BNP), troponina — que indicam sobrecarga cardíaca — e dímero-D, que detecta marcadores de formação de coágulos. Esses marcadores combinados ajudam a estimar a probabilidade de embolia pulmonar.

Exames de imagem definem o diagnóstico com precisão

Para confirmar a embolia, são necessários exames de imagem que visualizem o pulmão e seus vasos. O raio X do tórax fornece uma visão inicial do órgão. A angiotomografia computadorizada é frequentemente usada porque permite visualizar com clareza os vasos pulmonares e identificar exatamente onde está o coágulo. A cintilografia pulmonar, a angiografia, o ultrassom com doppler, o eletrocardiograma (ECG) e o ecocardiograma são outras opções que o médico pode solicitar dependendo das características individuais do caso e da disponibilidade de equipamentos.

Causas que levam à embolia pulmonar

A imobilidade prolongada é uma das principais causas de embolia pulmonar. Pessoas acamadas devido a cirurgia, acidente vascular cerebral (AVC) ou demência têm risco significativamente maior porque a falta de movimento favorece o acúmulo estagnado de sangue nas veias das pernas. Quando o sangue fica parado em um local, aumenta a chance de formação de coágulos. Esses coágulos podem se desprender da parede do vaso e ser transportados pela circulação até alcançar um vaso pulmonar, causando o entupimento. Quando a pessoa está acamada, recomenda-se o uso de anticoagulantes preventivos e a realização de exercícios com auxílio de um fisioterapeuta para manter alguma circulação de sangue.

O pós-operatório aumenta significativamente o risco

Cirurgias aumentam o risco de embolia pulmonar por dois mecanismos principais. Primeiro, as cirurgias reduzem a atividade física no período imediato após o procedimento, criando o mesmo cenário de imobilidade. Segundo, durante a cirurgia, há lesões nas veias e nos tecidos, e essas feridas podem dificultar a circulação de sangue e facilitar a formação de coágulos nos vasos lesados. Esses coágulos podem ser transportados pela circulação sanguínea até entupir um vaso pulmonar. Por isso, é importante cumprir todo o período de pós-operatório no hospital sob observação contínua do médico, que pode atuar rapidamente se os primeiros sinais de problemas aparecerem. Ao retornar para casa, usar os medicamentos indicados, especialmente anticoagulantes como varfarina ou ácido acetilsalicílico, torna-se essencial para prevenir a formação de novos coágulos.

Outras situações que elevam o risco de coágulos

Pessoas com trombose venosa profunda (TVP), uma condição em que coágulos já se formaram nas veias das pernas, apresentam elevado risco de que esses coágulos se desprendam e sejam transportados para os pulmões, causando embolia, ou para o cérebro, provocando AVC. Por esse motivo, seguir rigorosamente o tratamento com anticoagulantes conforme indicado pelo médico é fundamental para evitar essas complicações graves.

Viagens superiores a 4 horas — seja de avião, carro ou barco — aumentam o risco de coágulos porque a permanência prolongada na mesma posição restringe o movimento das pernas e facilita o acúmulo de sangue nas veias. No caso de viagens de avião, o risco pode estar ainda mais aumentado porque as diferenças de pressão dentro do avião podem tornar o sangue mais viscoso e denso, facilitando a formação de trombos. Durante viagens longas, recomenda-se levantar e movimentar as pernas a cada 2 horas para manter a circulação ativa.

Fraturas ósseas são uma das principais causas de embolia pulmonar porque quando um osso se parte, provoca lesões em vários vasos sanguíneos ao redor da área fraturada. Além disso, a pessoa precisa ficar em repouso prolongado para que o osso cicatrize corretamente. Essas lesões vasculares não apenas favorecem a formação de coágulos, mas também podem permitir a entrada de ar ou gordura da medula óssea na circulação sanguínea, aumentando ainda mais o risco de ter uma embolia. Evitar atividades perigosas, como escalada, e manter as proteções adequadas em desportos de alto impacto ajuda a prevenir fraturas. Após cirurgia para correção da fratura, a pessoa deve tentar se movimentar de acordo com as orientações do médico ou do fisioterapeuta para evitar complicações tromboembólicas.

Relatos isolados de pessoas que desenvolveram embolia pulmonar após vacinação contra COVID-19 foram registrados, mas estudos demonstram que esse risco é extremamente baixo, mantendo a vacinação como segura e recomendada para a população geral.

Opções de tratamento disponíveis

O tratamento para embolia pulmonar deve ser feito com orientação de um médico clínico geral ou pneumologista, geralmente exigindo internamento hospitalar. O objetivo do tratamento é aliviar os sintomas, desobstruir a artéria pulmonar e evitar a formação de novos coágulos no futuro.

A oxigenoterapia é um dos primeiros tratamentos aplicados. Essa terapia aumenta os níveis de oxigênio no sangue através da inalação de oxigênio concentrado, sendo indicada quando a saturação de oxigênio está abaixo de 90%. Em casos em que a situação está mais instável e a oxigenoterapia não é suficiente, o médico pode indicar ventilação mecânica, que ajuda o paciente a respirar através de um tubo ligado a um ventilador mecânico.

Nos casos mais graves, em que o paciente está hemodinamicamente instável — caracterizado por pressão sanguínea baixa ou ausente, aumento perigoso da frequência cardíaca e diminuição crítica da respiração — o ECMO pode ser indicado. Essa máquina, também conhecida como oxigenação por membrana extracorpórea, funciona como um pulmão artificial, fornecendo suporte contínuo para os sistemas respiratório e cardíaco, permitindo a oxigenação necessária do corpo enquanto o médico trabalha em outras formas de resolver o problema de base.

Os anticoagulantes são medicamentos fundamentais no tratamento da embolia pulmonar. Imediatamente após a confirmação do diagnóstico, o médico prescreve anticoagulantes intravenosos ou intramusculares para evitar que novos coágulos se formem. Após a alta hospitalar, o médico continua prescrevendo anticoagulantes orais como varfarina, rivaroxabana ou apixabana, geralmente por 3 a 6 meses ou mais, dependendo da avaliação do risco individual de o paciente ter outro episódio de embolia pulmonar no futuro.

Procedimentos cirúrgicos são indicados quando medicamentos anticoagulantes e trombolíticos não conseguem resolver o problema ou dissolver o coágulo que está impedindo a passagem de sangue para o pulmão. O cateterismo para tratar embolia pulmonar envolve a inserção de um tubo flexível fino, conhecido como cateter, através de uma artéria da perna ou braço do paciente até alcançar o coágulo que está no pulmão. Uma vez no local, o cateter remove o coágulo, restaurando o fluxo de sangue. A embolectomia cirúrgica é outro tipo de cirurgia indicada quando o paciente está hemodinamicamente instável ou tem contraindicações para uso de medicamentos trombolíticos e para o procedimento de cateterismo. Nessa cirurgia, o médico remove o coágulo da artéria pulmonar através de uma cirurgia aberta convencional, fazendo um corte na pele até alcançar a artéria do pulmão.

O filtro na veia cava inferior é um dispositivo indicado para pacientes com trombose venosa profunda quando o tratamento com anticoagulantes é contraindicado por motivos médicos, ou nos casos em que a TVP recorre apesar do uso contínuo de anticoagulantes. Esse filtro impede fisicamente a passagem do trombo da perna para os pulmões, evitando que uma embolia pulmonar se desenvolva. A longo prazo, porém, esse filtro pode ter efeitos colaterais, como a formação de um coágulo dentro do filtro ou o deslocamento do filtro de sua posição, o que aumenta a necessidade de tratamento continuado com anticoagulantes.

Possíveis complicações e sequelas

Uma vez que a embolia pulmonar impede a passagem de sangue para uma parte do pulmão, ocorre uma sobrecarga do coração, que tenta compensar bombeando mais sangue para tentar fazer com que o oxigênio chegue a todo o corpo mesmo com parte do pulmão comprometida. Normalmente, a embolia afeta uma área pequena do pulmão, e assim, a pessoa não sofre consequências graves.

Contudo, quando a embolia atinge uma área maior do pulmão, as consequências podem ser mais sérias. A morte súbita pode ocorrer de forma repentina como resultado de uma embolia massiva. Além disso, alguns pacientes que sobrevivem a um episódio de embolia pulmonar podem ficar com sequelas pulmonares permanentes, como a hipertensão pulmonar, que é um aumento anormal da pressão dentro dos vasos do pulmão e pode levar a problemas cardíacos crônicos no futuro.

Perguntas frequentes

Quais são os sinais de alerta que exigem ir ao hospital?

Falta de ar súbita, tosse intensa, dor no peito que piora ao respirar fundo, batimentos cardíacos rápidos ou irregulares, tontura que não melhora e confusão mental. A presença de dois ou mais sintomas exige atendimento imediato ao pronto-socorro ou chamada de ambulância.

Por quanto tempo é necessário usar anticoagulantes após alta hospitalar?

O médico prescreve anticoagulantes orais como varfarina, rivaroxabana ou apixabana durante 3 a 6 meses ou mais, dependendo da avaliação individual do risco de novo episódio de embolia pulmonar.

Viagens longas aumentam o risco de embolia pulmonar?

Sim, viagens com mais de 4 horas aumentam o risco porque a permanência prolongada na mesma posição facilita o acúmulo de sangue nas pernas. Em aviões, o risco é maior porque as diferenças de pressão tornam o sangue mais viscoso. Recomenda-se levantar e movimentar as pernas a cada 2 horas durante viagens longas.

Written by
Renata Bacelar

Renata Bacelar cobre jejum intermitente e alimentação funcional, com pesquisa própria sobre os efeitos metabólicos das janelas de jejum. Testa cada protocolo antes de recomendar aos leitores.