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Tendinite no ombro: sintomas, causas e tratamento

Em resumo

  • Tendinite no ombro causa dor, rigidez e fraqueza, afetando principalmente o manguito rotador, e pode ser causada por uso repetitivo, trauma ou má postura.
  • O tratamento começa com repouso relativo, gelo e medicamentos anti-inflamatórios, seguido de fisioterapia como pilar da recuperação.
  • A cirurgia por artroscopia é considerada apenas se houver ruptura significativa ou falta de melhora após 6 a 12 meses de tratamento conservador.
  • Parar de fumar, exercitar-se regularmente, manter peso adequado e controlar diabetes e colesterol reduzem o risco de tendinite crônica.

A tendinite do ombro, também conhecida como tendinopatia do ombro, é um distúrbio que envolve a inflamação ou irritação dos tendões, provocando dor, endurecimento das articulações e diminuição da força. Esta condição afeta com frequência os tendões do manguito rotador, um grupo de músculos e tendões que mantém o ombro estável.

O manguito rotador é composto por quatro estruturas: o supraespinhal, o infraespinhal, o redondo menor e o subescapular. Entre elas, o tendão supraespinhal é o mais acometido pela tendinite.

A causa mais comum é o uso repetitivo ou excessivo do ombro. Trauma direto, posturas inadequadas e desequilíbrio na força muscular também contribuem para o surgimento do problema.

Sintomas da tendinite no ombro

A dor é o sintoma mais evidente, frequentemente acompanhada por rigidez da articulação e redução da mobilidade. Nos estágios iniciais, muitas pessoas notam que o desconforto diminui quando começam a se movimentar, mas este alívio é temporário.

Se deixada sem tratamento, a dor pode se tornar contínua e interferir em atividades simples do dia a dia, como vestir uma roupa ou levantar objetos.

Impacto nas mudanças de postura

Pessoas com tendinite no ombro frequentemente modificam sua postura para evitar a dor. Essa compensação corporal, porém, causa desconforto em outras regiões, multiplicando os problemas musculares.

Progressão dos sintomas

Nas fases iniciais, o incômodo é discreto e as pessoas podem manter suas rotinas. Com a progressão, mesmo gestos rotineiros se tornam difíceis, forçando mudanças significativas nas atividades diárias.

Tendinite no ombro: sintomas, causas e tratamento

Tendinite calcificada do ombro

Um tipo específico de tendinite é a calcificada, na qual depósitos de cálcio se acumulam dentro do tendão. Isso causa os mesmos sintomas da tendinite comum — dor, rigidez e fraqueza — mas resulta de um processo degenerativo mais complexo.

Na tendinite comum, o problema surge principalmente do uso repetitivo, que irrita e danifica levemente as fibras do tendão. Na tendinite calcificada, além do desgaste, o acúmulo de cálcio forma depósitos minerais dentro da estrutura.

As células do tendão afetado sofrem alterações que favorecem essa formação de cálcio. O tendão supraespinhal continua sendo o mais afetado, mesmo nesta variante.

Causas e fatores de risco

Além do uso excessivo, vários fatores aumentam a vulnerabilidade do ombro a tendinite:

  • Fraqueza muscular ao redor do ombro
  • Falta de flexibilidade ou alongamento adequado
  • Ausência de aquecimento antes de atividade física
  • Desequilíbrio entre grupos musculares
  • Trauma ou pancada direta
  • Má postura mantida por longos períodos

O risco aumenta também em profissões ou esportes que exigem movimentos repetitivos do ombro acima da cabeça ou que demandam força contínua.

Como é feito o diagnóstico

O ortopedista começa investigando seus sintomas, o tipo de dor que sente e quais atividades diárias, laborais ou esportivas podem ter causado sobrecarga ou movimentos repetitivos.

Exame físico e testes específicos

O médico palpa a região afetada para localizar exatamente o ponto de dor, avalia a amplitude de movimento do ombro e testa a força muscular. Movimentos específicos ajudam a identificar qual tendão está comprometido.

Exames de imagem

Em alguns casos, o ortopedista solicita ultrassonografia ou ressonância magnética para confirmar o diagnóstico ou descartar outras lesões. A radiografia, embora não permita visualizar os tendões, ajuda a descartar problemas ósseos, artrite ou detectar os depósitos de cálcio característicos da tendinite calcificada.

Opções de tratamento

O tratamento varia conforme a severidade e pode incluir várias abordagens, frequentemente combinadas.

Repouso relativo e aplicação de gelo

O repouso permite que o tendão recupere-se, diminuindo irritação e dor. Não significa imobilizar totalmente o braço, mas evitar movimentos que causem incômodo, como elevar o braço acima da cabeça ou levantar objetos pesados.

A compressa de gelo contrai os vasos sanguíneos, diminuindo a inflamação e reduzindo a sensibilidade nervosa, o que alivia a dor. Aplicar gelo nos primeiros dias, várias vezes ao dia, cria um ambiente favorável para o tecido começar a cicatrizar.

Medicamentos

O uso de medicamentos é indicado pelo médico para aliviar a dor e reduzir a inflamação, mas sempre como complemento a outras medidas como repouso, fisioterapia e gelo.

Anti-inflamatórios não esteroides como ibuprofeno, naproxeno ou aspirina controlam a dor e o inchaço. Se a dor for intensa ou não melhorar, o médico pode aplicar injeções de corticosteroides diretamente na área afetada, que reduzem a inflamação de forma mais eficaz.

Adesivos de nitroglicerina e complexos vitamínicos injetáveis são exemplos de tratamentos complementares também utilizados para ajudar na recuperação.

Fisioterapia

A fisioterapia é um dos pilares do tratamento, restaurando gradualmente a força e a mobilidade do tendão. O processo começa com movimentos suaves que aumentam progressivamente em intensidade.

Exercícios de mobilidade, alongamento, fortalecimento muscular e trabalho de estabilidade melhoram o controle do movimento. O fisioterapeuta aplica técnicas como terapia por ondas de choque, terapia a laser, ultrassom e crioterapia para aliviar a dor e promover recuperação.

Massagem e terapias manuais reduzem a tensão muscular e melhoram a mobilidade. Agulhamento seco é uma técnica mais específica que relaxa os músculos circundantes, que ficam sobrecarregados para compensar a lesão original.

Terapias biológicas

Tratamentos biológicos usam substâncias naturais do corpo para promover a recuperação do tendão. O plasma rico em plaquetas é obtido a partir de uma amostra de sangue que é processada para concentrar as plaquetas e, em seguida, injetada na área lesionada. As plaquetas liberam fatores de crescimento que ajudam a reparar o tecido.

O ácido hialurônico é outro tratamento biológico: uma substância natural presente nas articulações que, quando injetada, melhora a lubrificação articular, reduz inflamação e facilita o movimento do ombro.

Quando a cirurgia é necessária

A cirurgia é indicada apenas quando há uma ruptura significativa do tendão ou quando a dor e as limitações não melhoram após vários meses de tratamento com fisioterapia, geralmente entre 6 e 12 meses.

O procedimento é feito por artroscopia, uma técnica minimamente invasiva com pequenos cortes que permite limpar o tecido danificado, remover depósitos de cálcio ou reparar o tendão se estiver rompido.

Muitos estudos mostram que uma boa fisioterapia oferece resultados semelhantes para muitas pessoas, por isso a decisão de operar deve ser avaliada pelo médico em cada caso específico.

Prevenção e mudanças de estilo de vida

Além do tratamento médico, modificações no estilo de vida reduzem o risco de a tendinite se tornar crônica e melhoram a recuperação.

Parar de fumar, praticar atividades físicas regularmente, manter um peso adequado e controlar bem condições como diabetes ou colesterol alto ajudam a proteger o ombro a longo prazo.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre tendinite comum e tendinite calcificada?

Na tendinite comum, a irritação surge do uso repetitivo que danifica as fibras do tendão. Na tendinite calcificada, além do desgaste, depósitos de cálcio se acumulam dentro do tendão, resultando de um processo degenerativo mais complexo onde as células do tendão sofrem alterações que favorecem essa formação mineral.

Quando devo procurar um ortopedista?

Procure um ortopedista na presença de sintomas indicativos como dor, rigidez ou perda de força no ombro. O médico pode fazer o diagnóstico correto e indicar o tratamento adequado, que pode incluir repouso relativo, fisioterapia, medicamentos ou cirurgia.

É sempre necessário fazer cirurgia para tendinite no ombro?

Não. A cirurgia é indicada apenas quando há ruptura significativa do tendão ou quando a dor não melhora após vários meses de tratamento com fisioterapia e outros cuidados, geralmente entre 6 e 12 meses. Muitos estudos mostram que uma boa fisioterapia oferece resultados semelhantes para muitas pessoas.

Written by
Mariana Kfouri

Mariana Kfouri é nutricionista clínica especializada em dietas low-carb e cetogênica, com mais de dez anos de consultório ajudando pacientes a emagrecer sem abrir mão do sabor. Acredita que reeducação alimentar começa na cozinha, não na balança.