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Artroplastia: substituição articular para reduzir dor e restaurar movimento

Em resumo

  • Artroplastia substitui partes danificadas de uma articulação por prótese para eliminar dor e restaurar movimento quando tratamentos conservadores não funcionam.
  • O procedimento pode ser feito em quadril, joelho, ombro, cotovelo e tornazelo, com escolha dependendo da articulação afetada e tipo de lesão.
  • A recuperação funcional leva de 3 a 6 meses, com fisioterapia começando no primeiro dia pós-operatório e retorno a atividades progressivo.
  • Atividades de baixo impacto como natação e caminhada são seguras após recuperação, mas exercícios de alto impacto exigem avaliação médica.

Artroplastia é o procedimento cirúrgico que substitui as partes danificadas de uma articulação por uma prótese, com objetivo de eliminar a dor, restaurar a capacidade de movimento e permitir que o paciente retome suas atividades normais. A decisão de realizar essa cirurgia leva em conta não apenas o desgaste visível em radiografias ou ressonâncias, mas principalmente a intensidade da dor, o quanto o paciente sente a limitação de movimento na prática, e se as outras formas de tratamento não produziram melhora.

O que é artroplastia e quando é necessária

A artroplastia é indicada para pessoas que enfrentam dor, enrijecimento articular ou restrição de movimento que prejudicam sua qualidade de vida e não respondem a tratamentos conservadores. Um ortopedista especializado na articulação afetada realiza o procedimento em ambiente hospitalar, e o processo de recuperação típico se estende por vários meses, durante os quais sessões de fisioterapia e medicamentos para controle da dor são rotina. A decisão sobre fazer a cirurgia não se baseia apenas em imagens médicas que mostram degeneração da articulação, mas considera principalmente como a pessoa funciona no dia a dia e quanto os tratamentos anteriores ajudaram.

Artroplastia: substituição articular para reduzir dor e restaurar movimento

Articulações tratadas pela artroplastia

Quadril

A artroplastia de quadril remove a cabeça femoral danificada e o acetábulo (a cavidade da bacia onde a cabeça do fêmur se encaixa) e os substitui por componentes protéticos. Em algumas situações, apenas a cabeça do fêmur recebe a prótese. Este procedimento costuma ser recomendado quando a pessoa apresenta desgaste avançado, fratura no fêmur ou outras alterações que geram dor persistente e dificultam caminhar ou fazer tarefas simples do dia a dia.

Joelho

Na artroplastia de joelho, o cirurgião remove as porções comprometidas do fêmur e da tíbia e implanta componentes de prótese em seu lugar. Se o dano está localizado apenas em uma parte da articulação, é possível fazer uma substituição parcial. O procedimento é geralmente indicado para osteoartrite em estágio avançado, particularmente quando a dor e a redução de movimento não melhoram o suficiente com medicações, fisioterapia ou outras abordagens não cirúrgicas.

Ombro

A artroplastia de ombro trata osteoartrite, artrite reumatoide, fraturas graves e lesões que causam dor importante e redução significativa da capacidade de mover o braço. Na maioria dos casos, a cabeça do úmero é substituída por uma prótese. Quando necessário, também remove-se e substitui-se a glenoide, a parte da escápula onde a cabeça do úmero se encaixa. O grau de substituição varia conforme o tipo e a gravidade da lesão.

Cotovelo, tornazelo e revisões

A artroplastia de cotovelo é menos frequente e fica reservada para situações em que doenças ou traumatismos provocam dor intensa, articulação rígida e perda importante da função. Nesse procedimento, as superfícies articulares do úmero e da ulna são substituídas. Na artroplastia de tornazelo, o cirurgião troca as superfícies danificadas da tíbia e do tálus por componentes de prótese, mantendo o movimento da articulação intacto. Além disso, existe a artroplastia de revisão, feita quando uma prótese anterior apresenta desgaste, afrouxamento, infecção ou outra complicação, podendo envolver a troca parcial ou total do implante anterior.

Como a cirurgia é realizada

Preparação e anestesia

Antes do procedimento, o paciente passa por exames para avaliar seu estado de saúde geral e determinar qual tipo de anestesia é mais adequado. As opções incluem anestesia geral, que adormece todo o corpo, ou regional, que bloqueia a sensibilidade da região a ser operada. A anestesia regional muitas vezes vem acompanhada de sedação para manter o paciente confortável durante toda a cirurgia.

Etapas do procedimento

O ortopedista começa fazendo uma incisão sobre a articulação para acessar os ossos e estruturas que serão tratados. Os tecidos adjacentes são afastados com cuidado. Em seguida, remove as porções desgastadas ou danificadas e prepara a superfície óssea para receber os componentes da prótese. Esses componentes podem ser fixados usando cimento ósseo, que funciona como uma cola, ou simplesmente encaixados sob pressão, permitindo que o osso se integre à prótese ao longo do tempo. Após a colocação, o cirurgião movimenta a articulação para verificar se o alinhamento está correto, se o implante é estável e se funciona adequadamente. Por fim, a incisão é fechada e coberta com um curativo protetor.

Recuperação nas primeiras semanas

Internação e movimento inicial

Imediatamente após o procedimento, o paciente permanece sob observação para monitorar sinais vitais, controlar a dor e garantir que a anestesia saiu do organismo. Dependendo do procedimento e da resposta do paciente, a internação dura entre 1 e 3 dias. Em alguns casos, a pessoa recebe alta no mesmo dia da cirurgia ou no dia seguinte. Nas primeiras 24 horas, a articulação começa a ser movimentada de forma lenta e seguindo rigorosamente o que o médico orienta. Se a cirurgia foi em perna, quadril ou tornazelo, a caminhada pode começar usando andador ou muletas, que ajudam na recuperação dos movimentos e no ajuste à prótese.

Fisioterapia e controle da dor

A fisioterapia inicia-se no primeiro dia após a operação, adaptada às condições individuais e ao tipo de cirurgia realizada. As primeiras sessões focam em exercícios simples: mover a articulação, ativar e fortalecer os músculos, melhorar a circulação sanguínea na região, além de treinar o paciente a sentar, levantar e caminhar sem risco de queda. À medida que a recuperação progride, os exercícios se tornam mais complexos e desafiadores, objetivando aumentar a amplitude de movimento, ganhar força, melhorar o equilíbrio e restaurar a capacidade de fazer tarefas cotidianas. Para controlar a dor, o médico prescreve medicamentos como paracetamol, dipirona ou anti-inflamatórios. Em algumas situações, anticoagulantes como enoxaparina ou rivaroxabana são indicados para reduzir o risco de coágulos sanguíneos, uma complicação possível após esse tipo de cirurgia.

Cuidados com a ferida cirúrgica

O local da incisão deve ser mantido limpo e seco durante toda a fase de cicatrização. O paciente não deve molhar a ferida ou remover o curativo antes do prazo indicado pelo cirurgião. Também é importante evitar aplicar cremes, pomadas ou qualquer outro produto diretamente sobre a ferida sem orientação prévia. Os pontos ou grampos utilizados para fechar a incisão são removidos entre o 10º e o 14º dia, conforme a qualidade da cicatrização e o tipo de fechamento realizado. Alguns tipos de fio absorvem naturalmente e não precisam ser retirados. Durante todo o período de recuperação, é fundamental observar a ferida e comunicar ao médico sinais como avermelhamento excessivo, inchaço progressivo, calor na região, piora da dor ou presença de secreção.

Retorno às atividades normais

Cronograma de recuperação

Nas primeiras 4 a 6 semanas, o paciente nota melhorias progressivas: mais liberdade de movimento, menos dor ao se movimentar e recuperação de força. A recuperação funcional completa, aquela em que a articulação volta a funcionar próximo do normal para as atividades diárias, geralmente leva de 3 a 6 meses após a cirurgia. Em alguns casos, pode se estender até 12 meses. Dirigir um carro é algo que normalmente pode ser retomado entre a 4ª e a 6ª semana, desde que o paciente tenha força e controle suficientes para operar os pedais com segurança e não esteja tomando medicações que prejudiquem seus reflexos. Trabalho de escritório ou atividades com menor demanda física costumam ser viáveis entre a 6ª e a 8ª semana. Atividades que exigem esforço físico importante ou longos períodos em pé podem requerer 3 meses ou mais de espera.

Atividade física e exercício

Uma vez que a fase inicial de recuperação termina, atividades físicas de baixo impacto como caminhadas, natação e ciclismo geralmente são seguras e recomendadas. Já modalidades de maior impacto, como corrida, futebol e saltos, costumam ser desaconselhadas ou exigem avaliação médica individual antes de serem retomadas, pois podem sobrecarregar a prótese.

Quando procurar seu médico

Embora a maioria das artroplastias evolua bem, algumas situações exigem atenção médica imediata. Procure atendimento de emergência se você observar sinais de infecção como vermelhidão intensa, aumento do inchaço, calor aumentado na região da cirurgia ou presença de secreção. Piora importante da dor, especialmente quando acompanhada de inchaço, também merece avaliação urgente. Qualquer dúvida sobre como está a recuperação ou sobre quando é seguro retomar determinada atividade deve ser esclarecida com o seu cirurgião ou fisioterapeuta.

Perguntas frequentes

Quando a artroplastia é necessária?

Quando há dor, rigidez ou limitação de movimento que afetam a qualidade de vida e não melhoram com outros tratamentos. A decisão considera a intensidade da dor, limitação funcional e resposta aos tratamentos conservadores, não apenas o desgaste visível em exames.

Quanto tempo leva para se recuperar de uma artroplastia?

A recuperação funcional completa geralmente leva de 3 a 6 meses, podendo chegar a 12 meses em alguns casos. Nas primeiras 4 a 6 semanas já há melhorias significativas, e atividades como dirigir podem ser retomadas entre a 4ª e 6ª semana.

Quais atividades físicas são seguras após artroplastia?

Atividades de baixo impacto como caminhadas, natação e ciclismo são geralmente seguras após a recuperação inicial. Já atividades de maior impacto como corrida, futebol e saltos devem ser evitadas ou precisam de avaliação médica antes de serem retomadas.

Written by
Thiago Valadares

Thiago Valadares é personal trainer e entusiasta de nutrição esportiva, com foco em receitas fitness e meal prep para quem treina pesado. Escreve sobre como aliar praticidade e macronutrientes sem cair em modismos.