Em resumo
- A hepatite B aguda geralmente é eliminada naturalmente pelo corpo, mas em alguns casos evolui para forma crônica com o vírus permanecendo indefinidamente.
- O vírus transmite-se por sangue, seringas compartilhadas e relações sexuais desprotegidas, mas não por beijos simples ou compartilhamento de talheres.
- Hepatite aguda requer repouso e hidratação, enquanto a forma crônica exige medicamentos antivirais como lamivudina e interferon potencialmente por toda a vida.
- A vacinação em três doses é a prevenção mais eficaz, disponível para bebês recém-nascidos e adultos não vacinados em qualquer idade.
A hepatite B é uma inflamação do fígado provocada pelo vírus HBV que pode evoluir de forma aguda ou crônica, dependendo da resposta imunológica de cada pessoa. Na fase aguda, aparecem sintomas como febre, enjoos, vômitos e sensação de dor nas articulações, além de icterícia (amarelamento da pele e dos olhos). A doença é transmitida através do contato com sangue ou fluidos corporais contaminados, tornando-a uma infecção sexualmente transmissível quando há relação desprotegida.
O que acontece no organismo durante a hepatite B
O vírus HBV provoca dois tipos de lesão no fígado. Pode haver uma agressão direta do vírus sobre as células hepáticas, ou o próprio sistema imunológico do corpo monta uma resposta inflamatória contra o vírus que também danifica o órgão. A maioria das pessoas que contraem hepatite B desenvolve a infecção aguda e consegue se recuperar naturalmente através da produção de anticorpos pelo organismo. Porém, em alguns casos, a infecção não desaparece e se torna crônica, com o vírus permanecendo no corpo indefinidamente.
Sintomas da fase aguda
Os primeiros sintomas da hepatite B aguda costumam surgir entre um e três meses após a contaminação, já que o período de incubação do vírus varia de dois a seis meses. Quando a doença está em desenvolvimento ativo, a pessoa pode relatar febre, náuseas, vômitos, dores no corpo e dor nas articulações. Sinais mais avançados incluem icterícia (coloração amarelada da pele e mucosas), urina escura e fezes de cor pálida, mudanças que indicam sofrimento do fígado.
Apresentação na forma crônica
Na hepatite B crônica, a situação é diferente. A maioria dos portadores do vírus não manifesta nenhum sintoma aparente, ainda que o vírus continue presente no sangue e nos fluidos corporais. Essa ausência de sintomas não significa que o indivíduo está seguro: o vírus permanece ativo e continua podendo ser transmitido para outras pessoas pelas mesmas vias.
Diagnóstico por meio de exames
O diagnóstico começa com uma avaliação clínica realizada pelo hepatologista, infectologista ou clínico geral, que investiga os sintomas atuais, o histórico de saúde, hábitos sexuais, uso de drogas, profissão e realiza exame físico. Para confirmar a suspeita, é necessário fazer exames de sangue que detectem a presença do vírus HBV na circulação.
Testes sorológicos para o HBV
O teste inicial procura pela presença ou ausência de antígenos (Ag) e anticorpos (anti) do vírus no sangue. Existem várias combinações possíveis de resultados que indicam diferentes estágios da infecção, se a doença é aguda, crônica, se houve vacinação bem-sucedida ou se a pessoa já teve contato anterior com o vírus.
Avaliação da função hepática
Além dos testes específicos para o HBV, o médico solicita análises do funcionamento do fígado: TGO, TGP, GGT e bilirrubina são os principais marcadores. Essas dosagens mostram se as células do fígado estão sendo danificadas e em que intensidade. Em casos mais complexos, pode ser indicada uma biópsia hepática, coleta de um pequeno fragmento do tecido hepático, para avaliar o comprometimento atual do órgão, prever como a doença vai evoluir e decidir se o tratamento é necessário.
Como o vírus é transmitido
A hepatite B se dissemina principalmente através do contato direto com o sangue contaminado ou com fluidos corporais que contenham o vírus. Compartilhar seringas, agulhas ou outros instrumentos usados em tatuagens, acupuntura ou piercings são rotas comuns de transmissão horizontal. O mesmo ocorre com objetos de higiene pessoal contaminados, como lâminas de barbear ou depilar e ferramentas de manicure ou pedicure.
Relações sexuais desprotegidas, independentemente de serem vaginais, anais ou orais, também transmitem o vírus, uma vez que o HBV está presente no sêmen, nas secreções vaginais e até na saliva. Por isso a hepatite B é classificada como uma infecção sexualmente transmissível. Apesar de o vírus poder estar na saliva, beijos simples ou compartilhamento de talheres não costumam transmitir a doença, pois é necessário que haja uma ferida aberta dentro da boca para que o vírus chegue à circulação.
A transmissão vertical, de mãe para filho, é rara mas possível. Pode ocorrer durante o parto normal ou pela amamentação, razão pela qual recém-nascidos devem receber a primeira dose da vacina nas primeiras doze horas após o nascimento.
Tratamento da hepatite B aguda e crônica
Na hepatite aguda, não existe medicamento específico que elimine o vírus. O tratamento focará em aliviar os sintomas e dar condições para que o corpo combata a infecção naturalmente. Repouso é essencial, assim como manter hidratação adequada e ajustar a dieta, evitando alimentos gordurosos. É fundamental não ingerir bebidas alcoólicas. Se febre, dores musculares, cefaleia, enjoos ou vômitos forem intensos, o médico pode prescrever medicamentos para aliviá-los, mas o objetivo é dar tempo para o sistema imunológico resolver a infecção.
Na hepatite B crônica, a estratégia é diferente. Além de manter dieta pobre em gorduras e abstinência de álcool, o tratamento inclui remédios antivirais e imunomoduladores. Medicações como interferon e lamivudina são usadas para frear a multiplicação do vírus e prevenir lesões irreversíveis do fígado. Em alguns casos, esses medicamentos precisam ser tomados por toda a vida.
Possibilidade de cura e evolução
Na maioria dos casos de hepatite B aguda, o organismo consegue eliminar o vírus espontaneamente, criando anticorpos protetores. A doença tem cura e a pessoa fica livre da infecção. Porém, em alguns casos, o vírus não é eliminado e a infecção se torna crônica.
Quem desenvolve hepatite B crônica pode seguir diferentes caminhos. Alguns se tornam portadores crônicos saudáveis: o vírus permanece no corpo, mas não causa doença hepática ativa nem exige medicamentos específicos. Outros precisam de tratamento prolongado, mas podem ficar curados após vários anos de terapia bem-sucedida. A complicação mais grave ocorre quando a hepatite crônica evolui para cirrose hepática, que aumenta significativamente o risco de desenvolver câncer no fígado.
Prevenção por vacinação
A vacinação é a medida mais eficaz de proteção contra a hepatite B. Bebês devem receber a primeira dose nas primeiras doze horas após o nascimento, com reforços no segundo e sexto meses de vida, totalizando três doses. Adultos que não foram vacinados na infância podem receber a vacina em qualquer momento, incluindo gestantes a partir do segundo trimestre de gestação.
Para verificar se a vacina funcionou corretamente, o médico solicita o teste Anti-Hbs no sangue. Um resultado positivo indica que a vacinação ativou a proteção contra o vírus. Além da vacinação, outras medidas preventivas envolvem ter cuidado ao fazer tatuagens, piercings ou acupuntura, garantindo que todos os materiais estejam corretamente esterilizados.
Fonte: Tua Saúde
Perguntas frequentes
Como se transmite a hepatite B?
A hepatite B se transmite principalmente pelo contato com sangue contaminado, compartilhamento de seringas ou agulhas, relações sexuais desprotegidas e compartilhamento de objetos de higiene pessoal contaminados. Beijos simples e compartilhamento de talheres não transmitem o vírus a menos que haja ferida aberta na boca.
Hepatite B tem cura?
Na maioria dos casos de hepatite B aguda, o organismo elimina o vírus naturalmente. Na forma crônica, alguns portadores se tornam portadores crônicos saudáveis sem necessidade de medicamentos, e outros podem ficar curados após anos de tratamento bem-sucedido com antivirais como lamivudina.
Como prevenir hepatite B?
A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção. Bebês recebem três doses nas primeiras 12 horas de vida, no 2º mês e no 6º mês de vida, e adultos não vacinados podem se vacinar em qualquer momento. O teste Anti-Hbs no sangue confirma se a vacina funcionou corretamente.