Em resumo
- A aterosclerose pode ser assintomática nas fases iniciais, mas seus sintomas variam conforme a artéria afetada, causando dor no peito, dor nas pernas ao caminhar ou problemas neurológicos.
- Dor intensa no peito, falta de ar, suor frio e fraqueza ou dormência repentina em um lado do corpo são sinais de emergência que exigem atendimento hospitalar imediato.
- O diagnóstico envolve avaliação clínica, exames de sangue e de imagem como ultrassonografia e eletrocardiograma, enquanto o tratamento combina mudanças no estilo de vida, medicamentos como atorvastatina e rosuvastatina, e em casos graves, procedimentos como angioplastia ou cirurgia.
A aterosclerose é uma doença vascular que se desenvolve progressivamente, muitas vezes sem avisar. Ela ocorre quando gordura, colesterol e outras substâncias acumulam nas paredes das artérias, formando placas que reduzem o fluxo sanguíneo. Dependendo de qual artéria é afetada — no coração, cérebro, pernas, rins ou intestinos — os sintomas variam bastante, e a gravidade depende do grau de estreitamento do vaso sanguíneo.
Sintomas conforme a artéria afetada
A localização do depósito de placas determina quais sinais a pessoa experimenta. Por isso, dois pacientes com aterosclerose podem ter experiências completamente diferentes, dependendo de onde a doença está atuando.
Artérias do coração
Quando as artérias coronárias estão comprometidas, o primeiro sinal costuma ser dor ou desconforto no peito, particularmente durante esforço físico. A dor frequentemente irrada para o braço, ombro ou costas e melhora com repouso. Alguns pacientes também percebem batimentos cardíacos irregulares ou acelerados, falta de ar e cansaço desproporcional ao esforço realizado.
Artérias periféricas
A doença nas artérias das pernas causa dor ou cãibra durante a caminhada ou atividades que exigem esforço. Esse desconforto desaparece quando a pessoa repousa. Com o tempo, surgem fraqueza progressiva nos membros inferiores, formigamento e redução da capacidade de movimento que a pessoa tinha antes.
Artérias cerebrais
O comprometimento das artérias do cérebro gera dormência, formigamento ou fraqueza repentina em um lado do corpo ou do rosto. Problemas de equilíbrio, dificuldade para falar, confusão mental ou perda transitória de memória podem ocorrer. Esses sintomas surgem porque a redução do fluxo sanguíneo afeta regiões específicas do cérebro responsáveis por funções motoras e cognitivas.

Evolução silenciosa e sinais de emergência
Uma característica particularmente perigosa da aterosclerose é que ela frequentemente não causa sintomas nos estágios iniciais. Muitas pessoas vivem com estreitamento significativo das artérias sem perceber, simplesmente porque seu corpo não emite alertas claros. O problema só é detectado quando o bloqueio se torna crítico ou quando uma complicação aguda ocorre. Por isso, pessoas com fatores de risco — idade avançada, histórico familiar de doença cardíaca, tabagismo, colesterol elevado ou pressão alta — devem fazer avaliações periódicas mesmo sem apresentar sintomas.
Alguns sintomas indicam emergência médica e exigem atendimento hospitalar imediato. Procure um pronto-socorro se apresentar dor intensa e prolongada no peito, falta de ar súbita, suor frio sem motivo aparente, fraqueza ou dormência repentina em um lado do corpo ou do rosto, ou dificuldade para falar. Esses sinais podem indicar um infarto do miocárdio ou um acidente vascular cerebral (AVC), situações em que a rapidez do atendimento determina o prognóstico e pode prevenir sequelas graves.
Como é feito o diagnóstico
O médico inicia a investigação pedindo um relato detalhado dos sintomas e analisando o histórico de saúde pessoal e familiar de doenças cardiovasculares. Durante a consulta, avalia a pressão arterial, frequência cardíaca e níveis de oxigênio sanguíneo. Exames de sangue medem colesterol total, LDL (colesterol prejudicial), HDL (colesterol benéfico) e triglicerídeos, identificando o risco cardiovascular do paciente.
Para visualizar as artérias e confirmar a presença de placas, o cardiologista solicita exames de imagem. A ultrassonografia e o eletrocardiograma são os mais utilizados, permitindo avaliar o fluxo sanguíneo e a função cardíaca. Dependendo da localização suspeita da doença, podem ser pedidos angiografia, tomografia ou ressonância magnética para avaliação mais detalhada do grau de obstrução arterial.
Tratamento e controle da doença
O tratamento da aterosclerose começa com mudanças significativas nos hábitos diários. Praticar atividades físicas regularmente — caminhada, natação ou ciclismo — fortalece o coração e melhora a circulação. Manter o peso corporal adequado, evitar o consumo excessivo de álcool e abandonar o tabagismo desaceleram a progressão da doença e reduzem o risco de complicações.
A alimentação precisa ser repensada aumentando o consumo de fibras através de frutas, verduras, legumes e cereais integrais, que ajudam a reduzir a absorção de colesterol. Simultaneamente, é necessário diminuir significativamente alimentos ricos em gorduras saturadas, gorduras trans e açúcares refinados. Essas modificações alimentares protegem o coração e reduzem inflamação no sistema cardiovascular.
Quando o estilo de vida modificado não consegue trazer os níveis de colesterol para faixas seguras, o cardiologista prescreve medicamentos específicos. A atorvastatina e a rosuvastatina são estatinas amplamente utilizadas que reduzem a produção de colesterol LDL no fígado, diminuindo a quantidade de gordura que se deposita nas artérias. O tratamento medicamentoso é individualizado, e diferentes doses ou combinações podem ser prescritas conforme a necessidade do paciente.
Em casos graves, quando a obstrução arterial é severa, intervenções não invasivas podem não ser suficientes. A angioplastia é um procedimento em que um cateter com um pequeno balão abre a artéria obstruída, e frequentemente um stent — tubo metálico de malha — é colocado para manter a artéria aberta. A cirurgia de ponte de safena é a alternativa quando a angioplastia não é viável, criando uma rota alternativa que contorna a artéria obstruída. Em situações extremas, quando a circulação está tão comprometida que o tecido morre por falta de oxigênio, pode ser necessária a amputação do membro afetado.
Qual especialista procurar
O cardiologista é o médico especializado em diagnosticar e tratar a aterosclerose, avaliando a saúde do coração e dos vasos sanguíneos. Dependendo de onde a doença se manifesta, outros especialistas podem ser consultados: um neurologista se há suspeita de comprometimento cerebral e risco de acidente vascular, ou um cirurgião vascular se o problema está nas artérias das pernas ou outras regiões periféricas. Na suspeita de aterosclerose, consultar o cardiologista para uma avaliação completa é o primeiro passo para receber o tratamento mais adequado.
Fonte: Tua Saúde
Perguntas frequentes
Quais são os principais sintomas de aterosclerose?
Os sintomas variam conforme a artéria afetada. Na aterosclerose coronária, surgem dor ou desconforto no peito irradiado para braço e ombro. Nas pernas, causa dor ao caminhar que melhora com repouso. No cérebro, gera dormência, fraqueza ou formigamento em um lado do corpo ou do rosto. Muitas pessoas não têm sintomas nos estágios iniciais da doença.
Que exames são usados para diagnosticar aterosclerose?
O diagnóstico envolve avaliação clínica com verificação de pressão arterial, frequência cardíaca e níveis de oxigênio. Exames de sangue medem os níveis de colesterol e triglicerídeos. Exames de imagem como ultrassonografia e eletrocardiograma permitem visualizar o fluxo sanguíneo nas artérias. Dependendo da localização suspeita, pode-se solicitar angiografia, tomografia ou ressonância magnética.
Como é o tratamento da aterosclerose?
O tratamento combina mudanças no estilo de vida — praticar atividades físicas, manter peso adequado, deixar de fumar e melhorar a alimentação — com medicamentos específicos. O cardiologista pode prescrever atorvastatina ou rosuvastatina para reduzir o colesterol. Em casos graves com obstrução severa, são indicados procedimentos como angioplastia com colocação de stent ou cirurgia de ponte de safena.