Em resumo
- Osteogênese imperfeita é uma doença genética que fragiliza os ossos causando fraturas frequentes, resultante de mutações nos genes que controlam a produção de colágeno tipo 1.
- Existem quatro tipos principais com diferentes graus de gravidade: tipo I leve, tipo II grave com risco de morte perinatal, e tipos III e IV moderados a graves.
- O tratamento não cura a doença, mas reduz fraturas e dor através de fisioterapia, bifosfonatos e cirurgia quando necessário para corrigir deformidades.
Osteogênese imperfeita é uma condição genética rara que afeta a estrutura dos ossos, deixando-os frágeis e propensos a fraturas. Também conhecida como “doença dos ossos de vidro”, resulta de mutações nos genes responsáveis pela produção de colágeno tipo 1, proteína essencial para a resistência óssea. Pessoas com essa condição podem apresentar baixa estatura, deformações na coluna, dentes frágeis e alterações na cor dos olhos.
Diferentemente de outras fraturas resultantes de quedas ou traumas, na osteogênese imperfeita os ossos quebram com facilidade até mesmo com movimentos simples. Essa fragilidade varia muito de pessoa para pessoa, dependendo do tipo da doença. Algumas formas são leves e compatíveis com uma vida próxima à população geral, enquanto outras são graves e aparecem já no útero.
O que causa a osteogênese imperfeita
A osteogênese imperfeita é provocada por alterações nos genes COL1A1 ou COL1A2, que controlam a produção do colágeno tipo 1. Esse colágeno é o mais abundante no corpo e participa da estrutura de ossos, cartilagens, córnea e ligamentos. Quando há mutação nesses genes, a quantidade ou qualidade do colágeno fica prejudicada, comprometendo a resistência óssea.
Outros genes também podem estar envolvidos, como IFITM5, SERPINF1, LEPRE1 e PPIB. A herança é genética, significando que a doença passa de pais para filhos através de alterações no DNA.

Os quatro tipos principais
Tipo I: forma leve
A osteogênese imperfeita tipo I é o tipo mais comum e mais leve. Ocorre quando há redução de 50% na produção de colágeno tipo 1. Pessoas com esse tipo apresentam pouca ou nenhuma deformação óssea e retardo leve do crescimento na infância. Os ossos, porém, são frágeis e fraturam facilmente.
Esse tipo subdivide-se em: tipo IA com dentes normais, e tipos IB e IC com alterações dentárias chamadas dentinogênese imperfeita, deixando os dentes descoloridos ou frágeis.
Tipo II: forma grave
A osteogênese imperfeita tipo II é a forma mais grave. Afeta a qualidade do colágeno tipo 1 de modo tão severo que o feto apresenta fraturas dentro do útero. Na maioria dos casos, isso leva ao aborto espontâneo. Se a gestação prossegue, recém-nascidos com tipo II têm fragilidade óssea extrema, atraso na formação do crânio e esclera azul.
Complicações respiratórias e cardíacas podem aparecer nesse tipo. Defeitos cardíacos diagnosticados em crianças com osteogênese imperfeita podem significar risco de vida.
Tipos III e IV: formas moderadas a graves
A osteogênese imperfeita tipo III provoca alterações na quantidade e qualidade do colágeno tipo 1. Pessoas com esse tipo normalmente não crescem o suficiente, apresentam deformações na coluna, pernas arqueadas, dificuldade de locomoção e fragilidade óssea de moderada a grave. Os olhos também podem apresentar esclera azulada.
O tipo IV envolve alterações na quantidade e qualidade do colágeno, mas é mais leve que o tipo III. Caracteriza-se por retardo do crescimento moderado a grave, deformidade da coluna e dos ossos longos, e fragilidade óssea significativa.
Reconhecendo os sintomas
O sintoma mais evidente é a fragilidade óssea com fraturas frequentes, ocorrendo às vezes sem traumas aparentes. Além disso, pessoas com osteogênese imperfeita podem apresentar:
- Baixa estatura
- Escoliose
- Dentes frágeis, descoloridos ou com desgaste precoce
- Esclera azulada
- Alterações auditivas, especialmente na adolescência e idade adulta
- Flexibilidade articular excessiva
- Pele frágil
A perda auditiva merece atenção especial. Avaliações periódicas permitem identificar perdas precoces e indicar tratamentos como aparelhos auditivos quando necessário.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico pode começar durante a gestação. O obstetra pode identificar sinais pelo ultrassom pré-natal, especialmente nos tipos mais graves. Se necessário, o médico pode solicitar amniocentese ou amostragem de vilosidades coriônicas para testes genéticos confirmatórios.
Após o nascimento, o diagnóstico é feito pelo neonatologista, pediatra ou ortopedista pediátrico através de:
- Avaliação clínica dos sintomas e histórico familiar
- Exames de imagem para avaliar fragilidade óssea
- Testes genéticos para identificar mutações
- Exames bioquímicos do sangue
Opções de tratamento
A osteogênese imperfeita não tem cura, pois é uma doença genética que afeta permanentemente a formação dos ossos. No entanto, o tratamento ajuda a reduzir o risco de fraturas, controlar a dor e melhorar a mobilidade. O pediatra ou ortopedista coordena o acompanhamento.
Fisioterapia e exercícios
A fisioterapia fortalece os músculos que sustentam os ossos, reduzindo o risco de fraturas, luxações e entorses. O fisioterapeuta pode indicar exercícios de baixo impacto como hidroterapia. Crianças com osteogênese imperfeita podem fazer natação sob orientação médica e vigilância de um profissional.
Medicamentos
Os bifosfonatos como pamidronato e alendronato são os principais remédios. Eles tornam os ossos mais fortes, diminuem o risco de fraturas e reduzem a dor óssea. O médico precisa avaliar constantemente o tratamento para ajustar as doses conforme necessário.
Cirurgia
A cirurgia pode corrigir deformidades ósseas, tratar fraturas complexas ou melhorar a capacidade de movimento. Um procedimento principal é a colocação de hastes intramedulares, dispositivos inseridos dentro dos ossos longos para fornecer suporte e reduzir o risco de novas deformidades. Em crianças, podem-se usar hastes que acompanham o crescimento.
As fraturas são tratadas conforme o osso afetado, localização e gravidade. Imobilizadores, talas ou gessos podem ser usados, e a cirurgia é indicada em casos mais sérios. O objetivo é estabilizar o osso permitindo recuperação sem imobilização prolongada desnecessária.
Expectativa de vida e qualidade de vida
A expectativa de vida varia conforme o tipo e gravidade. Nas formas leves e moderadas, é geralmente semelhante à população geral. Nas formas graves, especialmente com deformidades importantes do tórax e complicações respiratórias, pode ser reduzida.
O diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo ajudam a prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. Um acompanhamento multidisciplinar que inclua ortopedista, endocrinologista e fisioterapeuta permite adaptar os cuidados às necessidades individuais. O odontologista também é importante para preservar a saúde bucal em pessoas com dentinogênese imperfeita.
Fonte: Tua Saúde
Perguntas frequentes
Osteogênese imperfeita tem cura?
Não, osteogênese imperfeita não tem cura pois é uma doença genética que afeta permanentemente a formação dos ossos. Porém, o tratamento ajuda a reduzir o risco de fraturas, controlar a dor e melhorar a qualidade de vida.
Qual é o tipo mais grave de osteogênese imperfeita?
O tipo II é o mais grave, causando fraturas ainda dentro do útero e apresentando alto risco de aborto espontâneo e morte perinatal. Caracteriza-se por fragilidade óssea extrema e complicações respiratórias e cardíacas.
Como é feito o diagnóstico de osteogênese imperfeita?
O diagnóstico pode ser feito ainda na gestação através de ultrassom pré-natal, ou após o nascimento por pediatra, neonatologista ou ortopedista por meio de avaliação clínica, exames de imagem, testes genéticos e exames bioquímicos do sangue.