Em resumo
- A epicondilite medial afeta os tendões da parte interna do cotovelo, causando dor que piora com movimentos repetitivos do punho e antebraço.
- O diagnóstico é feito pelo ortopedista através de exame físico e testes de resistência, raramente necessitando de exames de imagem.
- O tratamento começa com repouso relativo, compressa fria e medicamentos, seguido de fisioterapia como principal abordagem.
- A maioria das pessoas se recupera em 6 a 12 semanas com tratamento adequado, sem necessidade de cirurgia.
A epicondilite medial, conhecida também como cotovelo de golfista, resulta de lesões nos tendões da face interna do cotovelo causadas por movimentos repetitivos do punho e antebraço.
Sintomas da epicondilite medial
Como se manifesta
Os sintomas incluem dor localizada na parte interna do cotovelo, que pode irradiar em direção ao antebraço e punho. Além da dor, a pessoa experimenta perda de força ao segurar objetos e incômodo ao dobrar o punho ou fechar a mão. Tarefas cotidianas como carregar sacolas de compras ou abrir potes tornam-se desconfortáveis devido ao esforço exigido da região afetada.
Quando piora e melhora
Os sintomas intensificam-se durante atividades que exigem força do punho e antebraço, como levantar objetos pesados ou realizar movimentos repetitivos com o braço. O repouso tende a aliviar o incômodo, embora em alguns casos a dor persista durante tarefas simples do dia a dia.
Diagnóstico e testes
O ortopedista realiza o diagnóstico a partir da avaliação dos sintomas, histórico de saúde e exame físico do cotovelo. Durante a consulta, o médico pressiona a parte interna do cotovelo e solicita movimentos do punho contra resistência para verificar presença de dor e avaliar força muscular.
Um teste comum pede que a pessoa flexione o punho contra resistência aplicada pelo médico, com o cotovelo estendido ou ligeiramente flexionado. Outro teste envolve estender o cotovelo de forma passiva com o punho e dedos estendidos, alongando os tendões e potencialmente reproduzindo a dor.
Esses testes auxiliam na avaliação clínica, porém não confirmam isoladamente o diagnóstico. Em alguns casos, exames complementares como ultrassom ou ressonância magnética são solicitados para avaliar os tendões e identificar possíveis lesões. No entanto, o médico frequentemente consegue identificar a epicondilite medial apenas pelos sintomas e exame físico, tornando esses exames desnecessários em muitos casos.
Diferenças com epicondilite lateral
A principal distinção entre as duas formas de epicondilite está na localização. A epicondilite lateral, denominada cotovelo de tenista, afeta os tendões da parte externa do cotovelo, enquanto a medial compromete os da face interna.
Ambas relacionam-se à sobrecarga de tendões por movimentos repetitivos do punho e antebraço, porém com apresentações clínicas distintas. A forma lateral causa dor ao estender o punho, enquanto a medial provoca dor ao flexioná-lo. Essa diferença na apresentação ocorre porque cada forma afeta músculos diferentes responsáveis por movimentos opostos.
Causas e fatores de risco
A epicondilite medial desenvolve-se pelo esforço excessivo ou repetitivo dos músculos e tendões responsáveis por flexionar o punho e movimentar os dedos. Os principais fatores incluem:
- Movimentos repetitivos, como flexionar frequentemente o punho ou girar o antebraço
- Práticas esportivas como golfe, tênis, musculação e atividades com arremessos
- Atividades profissionais que envolvem carregar peso, apertar ferramentas ou movimentos repetitivos com mãos e braços
- Aumento repentino da intensidade dos exercícios sem adaptação gradual
- Técnica incorreta durante exercícios ou práticas esportivas
- Sobrecarga dos músculos do antebraço que provoca pequenas lesões e alterações nos tendões
Tratamento
Medidas iniciais
O repouso relativo consiste em reduzir temporariamente atividades que provocam dor, como levantar pesos, apertar ferramentas ou realizar movimentos repetitivos com o punho. Isso não significa imobilizar completamente o braço; movimentação leve dentro do limite tolerado ajuda a evitar rigidez do cotovelo. O retorno às atividades deve ser gradual, respeitando a melhora dos sintomas e evitando esforços excessivos durante a recuperação.
Aplicar compressa fria ajuda a aliviar a dor, especialmente após atividades que sobrecarregam o cotovelo. Para isso, pode-se usar uma bolsa de gelo envolvida em toalha por cerca de 15 a 20 minutos, evitando contato direto com a pele. Essa medida fornece alívio sintomático, porém não trata isoladamente as alterações dos tendões.
O ortopedista pode prescrever analgésicos como paracetamol ou anti-inflamatórios como ibuprofeno para aliviar a dor conforme necessidade e condições de saúde da pessoa. Pomadas anti-inflamatórias, como o Diclofenaco, também podem ser indicadas para aplicação local cerca de duas vezes ao dia.
Fisioterapia e órtese
A fisioterapia representa um dos principais tratamentos, pois melhora a mobilidade do cotovelo, recupera força muscular e aumenta a capacidade dos tendões de suportar esforços. Inclui exercícios de alongamento dos músculos do antebraço e fortalecimento progressivo dos tendões, além de movimentos para melhorar o controle do punho e braço, adaptados conforme a intensidade da dor.
Como complemento, o fisioterapeuta pode utilizar recursos como estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), ultrassom terapêutico, laser, fitas adesivas (kinesio tape) e massagem transversa profunda.
O uso de órtese ou cotoveleira pode ser indicado quando atividades diárias provocam dor. Dependendo do modelo, o acessório ajuda a distribuir a carga sobre os músculos e tendões do antebraço, reduzindo o esforço na região afetada. A escolha do acessório e o tempo de utilização devem ser orientados pelo médico, pois o uso não substitui a fisioterapia nem a adaptação das atividades que causam sobrecarga.
Abordagens mais intensivas
Quando a dor persiste apesar do tratamento inicial, o ortopedista pode avaliar infiltrações, que consistem na aplicação de substâncias na região afetada, como anestésicos e corticosteroides. As infiltrações de corticosteroides oferecem alívio imediato da dor, porém esse efeito tende a ser temporário. A repetição do procedimento também enfraquece os tendões progressivamente, elevando o risco de futuras lesões.
A cirurgia é considerada quando a dor persiste por vários meses, geralmente de 6 a 12 meses, apesar do tratamento adequado incluindo fisioterapia e adaptação das atividades. O procedimento pode envolver remoção de tecido tendíneo comprometido e reparo do tendão conforme necessidade. Após a cirurgia, pode ser necessário período de reabilitação com fisioterapia para recuperar mobilidade e força do braço. A cirurgia é pouco frequente, pois a maioria das pessoas apresenta melhora sem necessidade de procedimento cirúrgico.
Prevenção
Para reduzir o risco de desenvolver epicondilite medial, considere as seguintes medidas:
- Executar técnica adequada durante prática de esportes e exercícios físicos
- Fazer pausas regulares durante atividades profissionais ou tarefas com movimentos repetidos
- Fortalecer e alongar os músculos do antebraço conforme orientação do profissional de saúde
- Aumentar gradualmente a intensidade dos exercícios
- Utilizar ferramentas e equipamentos adequados
- Evitar esforços repetitivos excessivos que provoquem dor
Prognóstico e recuperação
A epicondilite medial responde bem ao tratamento, com a maioria das pessoas alcançando recuperação completa sem procedimento cirúrgico. O tempo de recuperação varia entre 6 a 12 semanas em casos típicos, embora situações mais complexas possam demandar de 3 a 6 meses ou mais.
Fonte: Tua Saúde
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre epicondilite medial e lateral?
A epicondilite medial afeta a parte interna do cotovelo e causa dor ao flexionar o punho, enquanto a lateral afeta a parte externa e causa dor ao estender o punho. A forma medial é chamada de cotovelo de golfista, e a lateral, cotovelo de tenista.
Como é feito o tratamento da epicondilite medial?
O tratamento inclui repouso relativo, compressa fria, medicamentos anti-inflamatórios, fisioterapia com exercícios de alongamento e fortalecimento, e em alguns casos uso de órtese. Quando a dor persiste por mais de 6 a 12 meses, o médico pode considerar infiltrações ou cirurgia.
A epicondilite medial tem cura?
Sim, a epicondilite medial tem cura. A maioria das pessoas apresenta melhora com o tratamento adequado. A recuperação geralmente leva de 6 a 12 semanas, podendo se estender até 3 a 6 meses ou mais em casos persistentes.