Em resumo
- Malária é transmitida exclusivamente pela picada da fêmea do mosquito Anopheles infectado e pode ser curada com tratamento rápido.
- Sintomas como febre, calafrios e fraqueza aparecem 8 a 30 dias após a transmissão e exigem confirmação por análise de sangue.
- Complicações graves incluem anemia, icterícia, hipoglicemia, edema pulmonar e malária cerebral quando o tratamento é atrasado.
- Prevenção inclui repelentes, roupas de proteção, quimioprofilaxia para viajantes e vacinas como RTS,S/AS01 e R21/Matrix-M.
O que é malária e como se transmite
A malária é uma infecção parasitária causada pelo protozoário Plasmodium. O parasita chega ao corpo humano exclusivamente através da picada da fêmea do mosquito Anopheles infectado. Esse inseto adquire o agente causador quando pica uma pessoa já contaminada e, posteriormente, transmite para outros indivíduos. Pessoas infectadas não transmitem o parasita por contato direto, salvo em raros casos de compartilhamento de seringas, transfusões de sangue inadequadamente controladas ou durante o parto. O mosquito Anopheles pica principalmente no entardecer e anoitecer, em regiões com água limpa e pouca correnteza, umidade elevada e temperaturas entre 20 e 30 graus Celsius. Na América do Sul, América Central, África e partes da Ásia, o risco de contaminação é maior. No Brasil, os estados mais afetados são Amazonas, Roraima, Acre, Tocantins, Pará, Amapá, Mato Grosso, Maranhão e Rondônia.
Sintomas iniciais
Os primeiros sintomas costumam aparecer entre 8 e 14 dias após a transmissão. Em alguns casos, porém, o intervalo pode se estender até 30 dias, dependendo da velocidade de multiplicação do protozoário e da resposta imunológica do indivíduo. A apresentação clínica inclui febre, suores noturnos, calafrios intensos, náuseas, vômitos, dor de cabeça e fraqueza generalizada. Como muitas dessas manifestações são semelhantes a outras doenças, o diagnóstico requer avaliação médica, especialmente quando há histórico de permanência em regiões com surtos conhecidos, como a Amazônia ou continente africano. Procure um profissional de saúde se desenvolveu esses sintomas após viajar para uma área de risco.

O ciclo do parasita no corpo humano
Uma vez transmitido, o Plasmodium segue um ciclo de multiplicação específico dentro das células sanguíneas. O protozoário invade as hemácias (glóbulos vermelhos) e forma estruturas chamadas esquizontes. O tempo necessário para completar esse ciclo varia conforme a espécie do parasita: para P. falciparum, P. vivax e P. ovale, o ciclo dura 48 horas, enquanto P. malariae leva 72 horas. Quando os esquizontes se rompem e libertam os parasitas na corrente sanguínea, os sintomas se intensificam, particularmente a febre e os calafrios. Esse padrão de ruptura e liberação é responsável pelos picos febrís que caracterizam a evolução da doença.
Como o diagnóstico é feito
O diagnóstico é realizado através de análise microscópica de uma amostra de sangue, um teste conhecido como gota espessa. Esse exame deve estar disponível em postos de saúde e hospitais, principalmente em áreas com maior prevalência de malária. O médico o solicita sempre que os sintomas sugerem infecção parasitária. Além disso, novos testes imunológicos vêm sendo desenvolvidos para agilizar a confirmação. Quando o resultado confirma malária, o profissional pode pedir exames adicionais (hemograma, análise de urina e radiografia de tórax) para monitorar a gravidade e avaliar possíveis complicações. Procure atendimento médico se retornou de um local de risco com sintomas compatíveis.
Tratamento da malária
Urgência no início do tratamento
A malária tem cura, mas o tratamento deve começar o mais rapidamente possível. Sem intervenção adequada, a doença pode evoluir para formas graves e levar ao óbito. O atraso na terapia aumenta significativamente o risco de anemia, queda de plaquetas, insuficiência renal e comprometimento do cérebro.
Escolha de medicamentos
Os medicamentos, doses e duração são determinados pelo médico conforme a idade, a gravidade da infecção e as condições clínicas do paciente. O profissional considera cada caso individualmente para escolher a melhor terapêutica. É fundamental tomar todos os comprimidos prescritos até o final do tratamento, sem interrupções, para garantir a cura.
Casos especiais: crianças, bebês e gestantes
Crianças, bebês e gestantes recebem protocolos de tratamento diferenciados, frequentemente com quinina ou clindamicina, conforme as recomendações médicas vigentes. Esses pacientes geralmente necessitam de internamento hospitalar para monitoramento adequado.
Complicações graves quando a doença não é tratada
Anemia
A destruição maciça de glóbulos vermelhos pelo parasita causa anemia, manifestada por fraqueza intensa, palidez da pele, dor de cabeça persistente e sensação de falta de ar.
Edema pulmonar
O acúmulo anormal de líquido nos pulmões, chamado edema pulmonar, é mais frequente em gestantes e se apresenta com respiração acelerada e profunda, febre alta e pode evoluir para síndrome da angústia respiratória do adulto.
Icterícia
A icterícia ocorre quando há lesão hepática combinada com destruição de hemácias, aumentando os níveis de bilirrubina no sangue e causando coloração amarelada da pele e parte branca dos olhos.
Hipoglicemia
A hipoglicemia surge porque a glicose corporal é consumida rapidamente pelo excesso de parasitas, provocando tonturas, palpitações, tremores e até perda de consciência.
Malária cerebral
Em raras ocasiões, o parasita atinge o cérebro, causando malária cerebral, caracterizada por dor de cabeça muito intensa, febre acima de 40 graus Celsius, vômitos, sonolência, delírios e confusão mental. Esses sinais exigem procura imediata de emergência.
Prevenção
Medidas comportamentais
A melhor estratégia preventiva é evitar ser picado. Isso inclui o uso de repelentes, colocação de proteções nas janelas e uso de roupas de manga comprida, particularmente durante o entardecer e anoitecer quando o mosquito está ativo.
Quimioprofilaxia: medicamentos preventivos para viajantes
Quem viaja para regiões onde a malária é endêmica pode receber quimioprofilaxia, um tratamento preventivo com medicamentos antimaláricos como Doxiciclina, Mefloquina ou Cloroquina. Esses remédios devem ser iniciados 1 dia antes da viagem e continuados por semanas após o retorno, sempre sob orientação médica. Eles são particularmente indicados para pessoas com maior risco de desenvolver formas graves, como aqueles que viajam para áreas com índices elevados de transmissão ou que possuem doenças de base que podem complicar o quadro. Devido aos efeitos colaterais significativos desses medicamentos, o médico avalia cada caso individualmente.
Vacinas disponíveis e em desenvolvimento
As vacinas RTS,S/AS01 e R21/Matrix-M são recomendadas pela Organização Mundial da Saúde para prevenção da malária causada especificamente por Plasmodium falciparum em crianças em regiões de transmissão moderada a alta. Atualmente, nenhuma vacina contra malária está disponível no Brasil. Porém, a Vivaxin, uma vacina em desenvolvimento, recebeu autorização da Anvisa para ensaios clínicos em seres humanos, com objetivo de avaliar sua segurança, eficácia e efeitos colaterais.
Fonte: Tua Saúde
Perguntas frequentes
Como a malária é transmitida?
Exclusivamente pela picada da fêmea do mosquito Anopheles infectado. A doença não se transmite por contato direto, exceto em raros casos de compartilhamento de seringas, transfusões inadequadas ou durante o parto.
Quanto tempo leva para os sintomas aparecerem?
Os primeiros sintomas costumam surgir entre 8 e 14 dias após a transmissão, mas em alguns casos podem levar até 30 dias, dependendo da velocidade de multiplicação do parasita e da resposta imunológica.
O que aumenta o risco de complicações graves?
O atraso no início do tratamento, especialmente em pessoas com sistema imunológico fragilizado. Anemia, icterícia, hipoglicemia, edema pulmonar e malária cerebral são as principais complicações que podem surgir.