Em resumo
- Litotripsia é um procedimento que quebra cálculos nos rins e ureteres para facilitar sua eliminação ou remoção.
- Existem cinco técnicas diferentes: por ondas de choque externas, a laser, percutânea, mecânica e pneumática.
- O tempo de recuperação varia entre um ou dois dias a algumas semanas, dependendo da técnica utilizada.
- Sangue na urina, hematomas e desconforto ao urinar são efeitos colaterais esperados nos primeiros dias.
Litotripsia é o procedimento médico que utiliza diferentes técnicas para quebrar cálculos que se formam nos rins e ureteres (os tubos que transportam a urina do rim até a bexiga). Após o procedimento, os fragmentos menores podem ser eliminados naturalmente pela urina ou removidos diretamente pelo médico durante a intervenção.
O procedimento é realizado por um urologista e tornou-se uma das principais formas de tratar cálculos renais sem necessidade de cirurgia aberta. Dependendo do tamanho e localização da pedra, bem como do estado de saúde do paciente, diferentes técnicas podem ser utilizadas.
Quando a litotripsia é necessária
Nem todos os cálculos precisam de litotripsia. Pedras muito pequenas (geralmente menores que 5 mm) e sem sintomas têm maior probabilidade de serem eliminadas naturalmente pela urina, sendo apenas acompanhadas pelo urologista durante consultas de rotina.
A litotripsia é indicada quando:
- Os cálculos são grandes e não passam pela via urinária naturalmente
- A pessoa sente dor persistente causada pelas pedras
- Os cálculos bloqueiam a passagem da urina
- Há infecções urinárias recorrentes relacionadas aos cálculos
Nesses casos, a intervenção evita complicações e alivia os sintomas do paciente.

Principais técnicas de litotripsia
A escolha da técnica depende do tamanho, localização e características dos cálculos, bem como das condições clínicas do paciente.
Extracorpórea por ondas de choque
A litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO) utiliza um aparelho que emite ondas de choque de fora do corpo, direcionando-as até o cálculo para quebrá-lo. Os fragmentos resultantes são eliminados gradualmente pela urina. Esse é o procedimento mais simples, não requer cortes cirúrgicos e geralmente permite que o paciente retorne para casa no mesmo dia. Em alguns casos, o tratamento precisa ser repetido para eliminar completamente os cálculos.
Litotripsia a laser
Nessa técnica, o urologista utiliza um procedimento endoscópico, introduzindo um tubo fino (endoscópio) pela uretra e pelos ureteres até atingir o cálculo. Um laser especial é então acionado para partir a pedra em fragmentos pequenos que podem ser eliminados na urina. Após o procedimento, pode ser necessário colocar um cateter duplo J temporariamente, um tubo que mantém a passagem da urina entre rim e bexiga enquanto os fragmentos são expelidos.
Litotripsia percutânea
Essa técnica é indicada para cálculos renais grandes ou complexos. O urologista faz uma pequena abertura nas costas para introduzir instrumentos diretamente no rim, permitindo partir e remover os cálculos. Requer anestesia geral e frequentemente necessita internação hospitalar, oferecendo melhor taxa de sucesso em casos complicados.
Litotripsia mecânica e pneumática
Realizada durante procedimento endoscópico, essa técnica utiliza um instrumento que produz impactos rápidos para quebrar os cálculos. É particularmente útil para tratar pedras nos ureteres e, em certos casos, na bexiga ou rins. Os fragmentos podem ser removidos com instrumentos próprios ou eliminados naturalmente pela urina.
Preparação para o procedimento
Antes da litotripsia, o urologista solicita exames de sangue, urina e de imagem (como ultrassom ou tomografia) para avaliar os cálculos, seu tamanho exato e localização, além de descartar infecções urinárias. É essencial informar ao médico sobre todos os medicamentos em uso, especialmente anticoagulantes (medicamentos que evitam coágulos), pois alguns podem precisar ser ajustados temporariamente para reduzir o risco de sangramento durante e após o procedimento.
Se o procedimento incluir anestesia ou sedação (como nas técnicas a laser e percutânea), o paciente deve fazer jejum de 6 a 8 horas antes da cirurgia. Também é importante informar o médico sobre alergias conhecidas, doenças preexistentes e qualquer possibilidade de gravidez. Se houver suspeita de infecção urinária, essa deve ser tratada e controlada antes da litotripsia, pois infecções podem complicar o procedimento.
Durante o procedimento, o nível de desconforto varia conforme a técnica escolhida. Na litotripsia extracorpórea, pode haver dor durante a aplicação das ondas de choque, geralmente controlada com medicamentos prescritos pelo médico. Nas outras técnicas (laser, percutânea, mecânica), a anestesia ou sedação evita a dor durante a intervenção.
Recuperação e cuidados pós-operatório
O tempo de recuperação depende da técnica utilizada. Após a litotripsia extracorpórea, é possível voltar para casa no mesmo dia e retomar as atividades habituais em um a dois dias, conforme orientação do urologista. Nas técnicas a laser e mecânica, o retorno às atividades também ocorre em poucos dias, embora possa variar de acordo com a complexidade. A litotripsia percutânea geralmente exige internação e algumas semanas de recuperação.
A eliminação dos fragmentos pode levar dias ou até semanas, especialmente após a litotripsia extracorpórea. Nas técnicas endoscópicas, parte dos cálculos é retirada durante o procedimento, mas fragmentos residuais também podem ser eliminados posteriormente. O urologista pode solicitar exames de acompanhamento para confirmar se os cálculos foram completamente removidos.
Durante a recuperação, é importante:
- Beber bastante água conforme recomendação médica
- Tomar os medicamentos prescritos para aliviar a dor
- Evitar esforços físicos pelo período indicado pelo médico
Efeitos colaterais esperados
Nos primeiros dias após a litotripsia, alguns efeitos colaterais são normais:
- Sangue na urina (geralmente em pequena quantidade e tende a diminuir naturalmente)
- Dor ou desconforto na região lombar ou ao passar os fragmentos
- Hematomas na pele (mais comuns após a litotripsia extracorpórea)
- Desconforto ao urinar e necessidade frequente de urinar (após procedimentos endoscópicos)
Complicações possíveis e quando procurar o médico
Embora raras, complicações mais graves podem ocorrer, como infecção urinária, bloqueio das vias urinárias por fragmentos maiores e, em casos muito raros, sangramento importante ou lesões nos rins e estruturas adjacentes.
Procure atendimento médico imediatamente se apresentar:
- Febre ou calafrios
- Dor intensa ou persistente
- Dificuldade para urinar
- Sangramento intenso ou presença de coágulos na urina
Esses sinais podem indicar complicações que requerem avaliação e tratamento médico urgente.
Fonte: Tua Saúde
Perguntas frequentes
Quem precisa fazer litotripsia?
A litotripsia é indicada quando os cálculos são grandes, causam dor persistente, bloqueiam a passagem da urina ou causam infecções urinárias recorrentes. Pedras muito pequenas, menores que 5 mm e sem sintomas, podem ser apenas acompanhadas pelo urologista, pois têm maior probabilidade de serem eliminadas naturalmente.
Qual é o tempo de recuperação após a litotripsia?
O tempo de recuperação depende da técnica utilizada. Após a litotripsia extracorpórea, é possível voltar para casa no mesmo dia e retomar as atividades habituais em um a dois dias. Nas técnicas a laser e mecânica, o retorno também ocorre em poucos dias, mas a litotripsia percutânea pode exigir algumas semanas de recuperação.
Quais são os efeitos colaterais esperados após o procedimento?
Nos primeiros dias, são normais sangue na urina (geralmente em pequena quantidade), dor ou desconforto na região lombar, hematomas na pele e desconforto ao urinar. Esses efeitos tendem a diminuir naturalmente, mas se persistirem ou se houver sinais de complicação, é necessário procurar o médico.